Súdito de Lana Del Rey
Há algumas semanas, um clipe de aspecto caseiro causou frisson no mondo in da internet. Uma mistura de anos 50 com o “faça você mesmo”
punk. A autora, Lana Del Ray, pseudônimo duma norte-americana de 24 anos, cujo
nome verdadeiro é Lizzy Grant, fã de Elvis e cantora de coros escolares no
estado de Nova York.
Lana Del Rey foi escolhido por empresários e advogados
pra coincidir com a sonoridade e o visual de femme fatale glam da
Hollywood dos anos dourados. Lana usa e abusa de imagens de estrelas da época;
aparece em vídeos com perucas louras desgrenhadas a La Bardot, com lábios
voluptuosos segurando garrafas de bebida e fumando. Puro fetiche.
As letras falam de amores impossíveis, fêmeas malvadas
ou que seduzem os machos com frases do tipo “a bebida em seus lábios deixa você
perigoso” e “deixe-me fazer um show pra você, tigrão” (April Stevens, hello!).
Puro fetiche.
A sonoridade vai de atmosférica anos 50 – perfeita pra
filmes de David Lynch – a pura coqueteria tipo Peggy Lee. Voz entre rouca, com
gritinhos ocasionais. As canções mais ligeiras seriam ótima trilha pra
inferninhos e filmes de Tarantino. Puro fetiche.
Neil McCornick, crítico musical do Daily Telegraph, deu
a bordoada que alguns detratores cobrando originalidade mereciam. Como falar de
originalidade em plena pós-modernidade, quando tudo é colagem? Além disso, Lana usa elementos retrô temperando-os com modernices e compondo figura própria. Já tá bom pro quesito originalidade no século XXI, por Deus!
O primeiro single, contendo Video Game e Blue Jeans,
foi lançado no começo do mês e entrou pras paradas britânicas. O álbum parece
que sai em janeiro. Ela já está contratada pela Interscope Records, mesmo selo
de Lady Gaga, U2 e Black Eyed Peas.
Com esse nome, visual e sonoridade, Lana Del Rey tem os
ingredientes essenciais duma estrela pop. Descolados, badaletes e gente cool em
geral, antenem-se pra pin up pós-moderna.
Neste momento, é in ser seu súdito.
Puro fetiche.


Puro fetiche, fetiche de qualidade. Voz rouca, cara de adolescente com peruca da mãe ou correndo com o namorado pro mato ou secundarista com grampos no cabelo olhando vitrines. Tem estofo, puro fetiche, variedade para variadas fantasias. Vamos ver o que a indústria fonográfica fará disso. Adorei a moça. Oxalá continue gostando.
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