sábado, 23 de abril de 2011

ALBINO GOURMET 33

Nosso passeio culinário de hoje nos levará à pequenina Hungria, lá na Europa Central.
Toltott Káposzta
(repolho recheado)
Ingredientes
500g de carne moída (metade suína e metade bovina)
¾ xícara de chá de óleo de milho
2 colheres de sopa de cebola ralada
200g de arroz cozido
8 folhas grandes de repolho
1kg de chucrute em lata
250g de lingüiça portuguesa defumada
100ml de creme de leite
Preparo:
Refogue as carnes no óleo com a cebola e junte o arroz cozido. Recheie as folhas de repolho previamente aferventadas com esta mistura. Numa panela, coloque o chucrute e, sobre ele, os repolhos recheados e a lingüiça cortada em rodelas. Cubra com água e cozinhe lentamente por uma hora. Sirva com um fio de creme de leite.


Frango com páprica e cogumelos

Ingredientes

4 filés de peito de frango
1 colher (chá) de páprica
Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto
60 g de manteiga
1 cebola, cortada em rodelas finas
500 g de cogumelos frescos, fatiados
Modo de preparo
Martele o frango até ficar com 1 cm de espessura.Tempere os pedaços de frango com bastante páprica, sal e pimenta.

Em uma frigideira grande, em fogo baixo, derreta a manteiga. Adicione os pedaços de frango, tampe a panela e cozinhe em fogo médio por 10 minutos. Vire os pedaços de frango e coloque por cima deles a cebola cortada bem fina e o cogumelo, formando uma camada sobre o frango. Novamente tampe a panela e cozinhe por 10 minutos.

Retire a tampa da panela e misture a cebola e o cogumelo à manteiga que está na panela. Em fogo baixo, com a panela destampada, cozinhe por mais 5 minutos.

Sopa de Gulash

Ingredientes

360 g de músculo

2 cebolas picadas

80g de toucinho
1 colher (sopa) de páprica doce
1 colher (café) rasa de cominho
6 dentes de alho
10 batatas
2 pimentões verdes
1 tomate fresco
6 porções de massa Csipetke (veja receita abaixo)
sal
Preparo

Corte a carne em cubos de 2 cm.
Doure a cebola no toucinho derretido. Abaixe o
fogo e junte rapidamente a páprica. Misture a carne e o
sal e refogue. Deixe secar o caldo, junte o cominho e o
alho picado, adicionando sempre um pouco
de água. Cozinhe em fogo médio, com a panela tampada,
mexendo de vez em quando. Cuidado: a carne não deve ser
fervida, mas amaciada em um pouco do caldo no vapor.
Enquanto isso, descasque e corte as batatas (de
uma qualidade que não se desfaça ao cozinhar) em
quadradinhos de cerca de 1 cm, assim como o
pimentão verde e o tomate.
Prepare a massa do csipetke. Reserve.
Antes que a carne esteja completamente cozida,
reduza todo o caldo até ficar somente a gordura.
Adicione, então, as batatas, misturando bem e
fritando tudo junto. Acrescente a água até cobrir bem
os ingredientes. Junte o pimentão e o tomate.
Quando as batatas estiverem semi-cozidas, junte a
massinha csipetke para cozinhar (quando subirem à
superfície da sopa, estarão prontos, cerca de 2 a 3
minutos). A quantidade definitiva pode ser regulada
adicionando-se mais água ou caldo e, nesse caso,
completando-se o tempero.
Csipetke (acompanhamento natural da sopa
de Gulash.)
Ingredientes
8 colheres (sopa) de
farinha de trigo
1 ovo
sal
Preparo (tempo de preparo: 30 minutos)
Prepare uma massa dura com o ovo, a farinha e o
sal, mas sem água. Em uma tábua de madeira previamente
polvilhada, estenda a massa até a espessura de cerca de
1 mm.
Em seguida, com as mãos esfarinhadas, belisque
pedacinhos do tamanho da unha do dedo mínimo (o nome da
receita origina-se desta operação, csipetke =
belisquinho). Reserve.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

BOA NOTÍCIA DE RIBEIRÃO PRETO


Os vereadores de Ribeirão Preto aprovaram, nesta terça-feira (19), Projeto de Lei que propõe distribuição gratuita de protetor solar pela Rede Municipal de Saúde. A secretaria daria protetores fator 50 a portadores de albinismo, câncer de pele e também a famílias de baixa renda.
O PL, de autoria do vereador José Carlos de Oliveira, o Bebé (DEM), segue para o gabinete da Prefeita Dárcy Vera (DEM) para sanção ou veto.
(Encontrado em 
http://eptv.globo.com/ribeiraopreto/noticias/NOT,2,2,345481,Camara+aprova+distribuicao+gratuita+de+protetor+solar+em+Ribeirao+Preto.aspx)

BISTURI


Bullying leva jovens a fazer cirurgia de redução de estômago

O bullying tem influenciado a escolha de jovens obesos pela cirurgia bariátrica – uma das variações da operação de redução de estômago – como forma de escapar das gozações e da exclusão social, segundo especialistas das áreas de endocrinologia e psicanálise. E essa tendência deve aumentar, segundo eles, já que a obesidade cresce nessa faixa da população do país.

Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 21,7% dos jovens entre 10 e 19 anos estão acima do peso e mais de 30% das crianças entre cinco e nove anos apresentam excesso de peso, em dados de 2008 e 2009.
Outra pesquisa do mesmo instituto mostra ainda que ao menos 30% dos estudantes brasileiros já foram vítimas de bullying. E um último levantamento da SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica) mostra que, em 2009, foram realizadas no país 1,5 mil cirurgias em pacientes com menos de 20 anos, representando 5% do total de cirurgias realizadas no mesmo ano.
No consultório do cirurgião Roberto Rizzi, membro da SBCM, por exemplo, enquanto os adultos procuram a cirurgia por motivos de doença (diabetes, derrame, pressão e colesterol altos), os jovens se queixam do bullying para recorrer à sala de cirurgia.
- A gente percebe que os jovens vêm nos procurar por causa do bullying mesmo, porque sofrem muito. Eles são psicologicamente vulneráveis.
Esses jovens que estão longe do peso considerado normal - IMC (índice de massa corpórea) até 25 -, sofrem pressões de diferentes maneiras para serem magros. Além das retaliações no ambiente escolar, a pressão familiar também tem forte influência na escolha. Segundo Rizzi, é comum pais estarem mais preocupados com o peso dos filhos do que eles mesmos. Assim, procuram a cirurgia como solução.
- O jovem obeso, com 13, 14 anos, pode até não estar sofrendo bullying, mas o pai que é atleta tem um pouco de vergonha e força uma situação, querendo que haja uma solução cirúrgica. 
Autoestima
Infeliz com o peso desde os 13 anos, a bancária Thais Moreira Cruz, de 26 anos, fez a cirurgia bariátrica há 36 dias, em São Paulo. Antes ela tinha 88 kg e 1,54 m, mas hoje ela está feliz por já estar pesando 75 kg. Segundo ela, isso “não é nem um terço” do que ela pretende emagrecer.
A decisão foi feita depois de anos de dietas e remédios que lhe renderam depressão e síndrome do pânico. Amanda se lembra de se sentir diferente na escola, por ser “baixinha, gordinha e com cabelo enrolado.”
- Uma vez voltei da escola chorando tanto que tomei cinco cápsulas de Coscarque [tipo de laxante]. É uma questão de desespero mesmo. Para o adolescente é muito intenso.
Dos 19 aos 24 anos, ela usou diferentes tipos de anfetaminas para emagrecer. Em uma das tentativas emagreceu rapidamente, mas depois triplicou o peso inicial.  Hoje, mesmo ainda precisando manter uma dieta líquida, considera a cirurgia como um “ganho de saúde”.
- Tinha gastrite e esofagite por causa de tanto remédio. Agora minha autoestima está lá em cima. Todo mundo falou que eu mudei de fisionomia, que estou outra mulher, por mais que eu não tenha emagrecido muito.
Autoestima elevada é a mesma sensação da universitária Amanda Testoni de Oliveira, de 23 anos, que fez a mesma cirurgia em novembro do ano passado. A necessidade de fazer a cirurgia ocorreu quando ela viu a balança apontar para os 100 kg e “a ficha caiu”.
O peso elevado desde a adolescência a fazia cancelar programas com amigos e se sentir cansada em uma rápida caminhada. Quando percebia que sofreria bullying na escola, “revidava na mesma moeda”.
- Antes da cirurgia minha autoestima era muito baixa. Não gostava de sair, tinha uma crise nervosa quando ia comprar roupa. Ficava nervosa na loja. Hoje já tenho uma disposição muito diferente. Adoro comprar roupa, me arrumar. Hoje as coisas servem.

Quem pode fazer a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica é indicada apenas para pacientes com IMC acima de 35 (equivalente à obesidade mórbida), com diabetes tipo 2 resistente a outros tipos de tratamentos com remédios e dietas. Pode ser realizada a partir dos 18 anos e só é contraindicada para pessoas com problemas cardíacos e pulmonares, hérnia de hiato e refluxo gastroesofágico severos ou que não estejam em condições físicas e psicológicas de fazer uma cirurgia, segundo resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina). Para se ter certeza de que a pessoa está apta, ela deve passar antecipadamente por uma bateria de exames.
No entanto, menores de idade podem recorrer à cirurgia em condições especiais, ou seja, quando comprovadamente não conseguem perder peso mesmo com dietas e medicamentos, mas sempre com acompanhamento dos pais, diz Rizzi. Apesar disso, o mais indicado, de acordo com ele, é esperar pela maioridade. Até porque até os 19 anos esse jovem poderá crescer e adequar seu peso à altura, explica.
O cirurgião Arthur Garrido, do Hospital Beneficência Portuguesa, discorda desse ponto. Pioneiro da técnica no Brasil, o médico já operou mais de 30 adolescentes. Antes da resolução do CFM, editada em 2010, a indicação para cirurgia era de 16 anos.
De acordo com Garrido, o que mais deve ser levado em conta para se fazer a operação é a condição de saúde do paciente. Portanto, se ele for muito jovem, mas já estiver sofrendo consequências da obesidade, a operação deve ser levada em conta.
- Só há indicação em caso de obesidade grave que compromete a saúde, seja em que idade for. Em casos cuja obesidade se resolve com medicação e alimentação não tem cabimento operar, porque a operação pode ter complicações.
Mas justamente pelo seu histórico com adolescentes, ele admite que o bullying é uma realidade entre os obesos e que isso leva muitos a procurar o consultório. O que, no entanto, não deve ser encarado como justificativa plausível.
- Muitas vezes a pessoa chega ao cirurgião dizendo que não aguenta mais a pressão social, e pede para ser operado porque não consegue arrumar namorado. Mas se essa obesidade não preenche critérios, a equipe tem que se recusar a operar. Até porque com 1% dos operados ocorrem complicações graves.
Vale destacar, por outro lado, o tanto de benefícios que a cirurgia trás, inclusive para os mais jovens, diz Garrido.
- As operações funcionam muito bem em qualquer método. Na grande maioria dos casos, reduz o peso e diminui o risco ou cura doenças que já existiam.

TELONA QUENTE 23

Depois dos atentados de 11 de setembro, a malha fina pra pegar imigrantes ilegais nos EUA tornou-se mais rigorosa. Não coincidentemente, os casos de xenofobia, detenção em aeroportos e deportações intensificaram-se. Na Europa, mormente na Espanha e Inglaterra, a pressão anti-imigrante cresceu, atingindo seu ápice midiático com o assassinato de Jean Charles de Menezes, em Londres, em 2005. 
Também não foi por acaso que o número de filmes tematizando a imigração conheceu acentuado aumento na década passada. Ontem vi Olhos Azuis (2009), eficiente thriller nacional trilíngue, dirigido por José Joffily, com roteiro de Melanie Dimantas e Paulo Halm.
Em seu último dia de trabalho como chefe do Departamento de Imigração no aeroporto JFK (Nova York), o agente Marshall se embriaga e mostra seu lado racista e xenófobo ao tornar um inferno a vida de alguns latinos pretendentes a ingressar no país. A tensão cresce à medida que o porre a os recalques de Marshall se avolumam, até chegar a um desfecho trágico.
A edição de Olhos Azuis é excelente. A história é contada de modo não linear e justapõe 2 ambientações radicalmente distintas. O claustrofóbico e fatídico último dia de Marshall no emprego, numa sala apertada, coabitada por uma oficial afro-americana e outro de origem mexicana é contraposta a cenas no nordeste brasileiro, para onde o decadente Marshall se dirige tempos depois em busca de um paliativo de redenção.
A parte passada no escritório da imigração lembra muito teatro filmado e apresenta uma série de coadjuvantes interessantes e bem construídos, como a bailaria cubana que enfrenta dificuldades em entrar nos EUA devido a sua nacionalidade. Na parte brasleira, Marshall encontra a prototípica prostituta de bom coração Bia, que auxilia Marshall em sua jornada terminal pela terra brasilis, outrora tão desprezada pelo norte-americano.

O roteiro traz personagens e situações que em sua maioria fogem do simplismo bom/mau e os temas da pobreza do terceiro mundo e a corrida de suas populações para a tão sonhada bonança primeiro-mundista são tratados de forma realista com falas por vezes contundentes. Deslizes ficam por conta da representação algo clichetada dos argentinos. O casal portenho detido na imigração é o único que usa artifícios escusos pra entrar nos EUA. Considerando-se uma certa má vontade e animosidade existente entre nós e nossos vizinhos platinos, não me caiu bem a representação argentina, quando situada num contexto maior de representações. Lembro-me de que quando os EUA começaram a bombardear o Afeganistão, circulou um email bastante sem-graça afirmando que os brasileiros fariam os mapas pro exército estadunidense. Quando se abria o anexo, via-se um mapa da América do Sul, com o nome do país asiático escrito no lugar da Argentina...
O elenco transnacional de Olhos Azuis abrilhanta as nuanças das personagens. O destaque vai pra David Rasche, que proporciona momentos de genuíno repúdio com sua intolerância. Quem via TV na segunda metade dos anos 80, talvez se lembre dele como o inspetor Sledge Hammer da série Na Mira do Tira, exibida pela Globo. Irandhir Santos também está ótimo como Nonato, o brasileiro que a despeito de ter todos os papéis em ordem é achincalhado por Marshall até o limite da explosão.
Olhos Azuis prende a atenção, desperta e mantém o suspense e cutuca algumas feridas sangrantes da relação EUAxAmérica Latina. Provavelmente por esse último motivo, não recebeu a atenção e os paparicos do mercado norte-americano, como foi o caso de outras produções nacionais que enfocaram nossas misérias, convenientemente deixando de lado o quinhão de responsabilidade da potência nortista.     

quarta-feira, 20 de abril de 2011

ALBINA ESTRESSADA

Mulher é atacada por sua cobra de estimação

A norte-americana Chrystal Wilson foi atacada por sua píton albina de 2,5 metros de comprimentos na última semana na cidade de Lyons, no estado do Kansas, nos EUA.
O animal mordeu o pescoço da dona enquanto a mulher a tirava de sua jaula para alimentá-la. O filho de Chrystal viu a cena e ligou para a polícia pedindo ajuda.

Apesar do tamanho assustador, a serpente píton não é venenosa. Suas presas, no entanto, são maiores e curvadas para conseguirem capturar suas presas com maior facilidade.
(Encontrado em 
http://www.maiscomunidade.com/conteudo/2008-05-19/interatividade/93818/MULHER-E-ATACADA-POR-SUA-COBRA-DE-ESTIMACAO.pnhtml)

CONTANDO A VIDA 31

Dia 18 de abril é aniversário do escritor infantil mais popular do Brasil: Monteiro Lobato. Por isso, essa data é o Dia de Monteiro Lobato. Nosso cronista em Paris, José Carlos Sebe, dá um puxão de orelha no excesso de correção política, que ameaçou censurar a obra de Lobato.   

A CARNAVALIZAÇÃO DE LOBATO.
José Carlos Sebe Bom Meihy

Em seus escritos, Lobato era pouco chegado a festas. O teor argumentativo do nosso escritor maior mergulhava em mares ácidos, indicativos de temas severos, críticos, pouco – bem pouco – humorados. Mesmo no Sítio, não se falava de festas a não ser de encontros de bichos na mata ou de peixinhos no fundo das águas. É verdade que a devoção à vida livre, brincadeiras que envolviam assombrações eram evocadas na obra infantil, mas nada de carnaval. Nada. Pois é, por ironia do destino, um dos enredos mais cativantes de toda história do carnaval carioca foi sobre ele.
Em 1967, no ano do enrijecimento da ditadura militar, a vibrante Estação Primeira de Mangueira colocou na rua “O mundo encantado de Monteiro Lobato” e levou o primeiro lugar do concurso fazendo o Brasil todo cantar. Dimensionando enorme sucesso da Rede Globo de Televisão, Lobato sob as benesses da cultura oficial fora então homenageado e, diga-se, o povo afiançou o lance, repetindo o estribilho sensacional: “E assim... E assim/ Neste cenário de real valor/ Eis... o mundo encantado/ Que Monteiro Lobato criou.” Ainda que depois disso aqui e ali fantasias de Emília repontem nos festejos momísticos, o mundo de Lobato se apagou como motivo carnavalesco e tem sido mais evocado nas escolas, como tema pedagógico, principalmente de iniciação à leitura. Este ano, porém, em pleno 2011, Lobato voltou carnavalizado. E de maneira exuberante. Tudo em função do ridículo veto às “Caçadas de Pedrinho”. Como lembramos, no ano passado, o CNE (Conselho Nacional de Educação) vetou a distribuição desse livro sob alegação de racismo e divulgação de preceitos tidos agora como “politicamente incorretos”. O recorte de uma passagem do livro sustentava a justificação identificadora do preconceito. A passagem referia-se ao pavor de onças que se apossava de Tia Anastácia, que sequer podia ouvir falar desses bichos. Assim, por exemplo, é descrita uma cena: “Tia Anastácia, esquecida de seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima, com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida”.  Revoltando a massa inteligente do país, manifestos foram apresentados de maneira a impedir o ridículo veto que felizmente caiu. Tudo teria morrido por aí não fosse a picardia de um bloco carnavalesco, desses que deixam transparecer o espírito crítico incontido na sagacidade popular.

Ninguém menos que Ziraldo ironizou o episódio com uma sátira danada de picante. Ilustrou a camiseta do bloco “Que merda é essa” com a caricatura de Lobato abraçando uma mulata e, entre ele e a moça, uma onça. Ladeando ambos um cravo e uma rosa. Em mensagem amplamente divulgada, a autora do texto detrator de Lobato “Um defeito de cor”, Ana Maria Gonçalves, escreveu rebatendo Ziraldo e a turma marota do bloco: “Monteiro Lobato sempre se referiu a negros e mulatos com ódio, com desprezo, com a certeza absoluta da própira superioridade, fazendo uso do dom que lhe foi dado e pelo qual é admirado e defendido até hoje.” A investida dos autores do samba do “Que merda é essa” é bem armada e inscreve o debate na ironia a tudo que é “politicamente correto”. A letra assinada por uma pequena coleção de autores – Machado, Paulinho Bandolim, Boca, Fernando, Renan e Deivid Domênico – é sensacional. Vejamos: “Depois de oito anos no poder/ o bolsa-escola vai servir para alguma coisa/ Tô precisando completar o meu primário/ Tirei um livro empoeirado do armário/ Mas a história mudou... O cravo e a rosa não podem brigar/ ‘Nunca na história deste país’ o saci foi proibido de fumar/ Tia Anástácia sai da cozinha! vem sambar/ Pra ser destaque em Ipanema/ A dona Benta acende o fogo em seu lugar/ Se eu disser que o bambi é veado, eu vou pra prisão/ A cara do boi ficou ‘negra’/ Pirimpimpim virou produto do Alemão/ Tô convencido que estudar não leva a nada/ o meu negócio é tomar uma gelada/ Ô, companheiro, que merda é essa? É carnaval e ninguém vai censurar/ Vou atirar o pau no gato na folia/ E esse ano vou voltar a estudar.” A lição maior a ser tirada é importante: abaixo a censura, viva a liberdade de expressão e o respeito ao que foi escrito nos padrões de uma época. É lógico que devemos perceber mudanças e usar o passado como degrau para transformações. É, pois, tempo de ler Lobato pelo que ele foi e não pelo que orgãos do poder quiseram e nem pelos analistas desprovidos de conhecimento. Viva Lobato carnavalizado!  

GLAUCOMA MAIS EM CONTA

Laboratório lança colírio genérico para tratamento de glaucoma

Remédio é mais econômico que a versão de referência

O Laboratório Teuto iniciou nesta segunda-feira (18) a comercialização de um colírio genérico para o tratamento de glaucoma. Trata-se do genérico cloridrato de dorzolamida + maleato de timolol, que chega ao mercado R$ 31,83 mais barato que o medicamento referência.Isso vai representar uma economia de 35,7% ao consumidor. A patente do produto, o Cosopt (Merck Sharp & Dohme), caiu no último domingo (17). Atualmente esse colírio movimenta R$ 35 milhões por ano no mercado.(Encontrado em http://noticias.r7.com/saude/noticias/laboratorio-lanca-colirio-generico-para-tratamento-de-glaucoma-20110419.html)

terça-feira, 19 de abril de 2011

ENCONTRO ALBINO

Aos poucos, os albinos brasileiros vão se integrando. Vejam o email que recebi da Mirian.


Oi Roberto,
Já faz bastante tempo que postei pela primeira vez no seu blog, lembra? Fui a primeira albina a escrever sua própria história nele...
Como vc disse pra que eu ficasse à vontade pra escrever outras vezes, quero narrar uma experiência incrível que passei no último sábado, dia 16, aqui no Rio.
Há tempos que alguns albinos da Cidade Maravilhosa queriam fazer um encontro. Mesmo não sendo natural da cidade do Rio de Janeiro (pois nasci no interior do estado) e moradora (porque moro na região dos lagos), sempre senti fazer parte desse grupo, até mesmo porque trabalho na zona norte.
Então, finalmente conseguimos fazer esse tão sonhado encontro. Não foram tantos quantos eu esperava, porque alguns inclusive que já tinham confirmado presença, mas por motivos alheios à sua vontade (ou não) acabaram não comparecendo; mas tenho certeza que nos posteriores teremos presença em maior número.
Acredito que nesse primeiro momento seja importante mesmo nos conhecermos, trocarmos idéia... e quem sabe, um dia, nos organizarmos com intenção de maior visibilidade e consequentemente com políticas públicas voltadas pra gente. Vamos caminhando, sei que a jornada é longa, mas um encontro num shopping da zona sul, já é um bom começo. 

Tomara que mais encontros venham, mais gente compareça e nasça daí outro foco de luta por direitos e visibilidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A FANTASIA DE MIGUEL NAUFEL

Restabelecendo-se do tratamento para curar um câncer de pele, nosso cronista albino Miguel Naufel parece que está voltando com a corda toda. Ele me enviou outra de suas saborosas histórias, que ora compartilho com vocês.
Rua do Feijão Queimado
Como se já não bastassem os apelidos pelos quais sou conhecido: Papai Noel, cotonete, rato branco, véio do rio, depois da música Marcha do Albino me chamam de Assim Não Dá, que é o refrão da canção. Agora, só faltava mais um apelido!
Moro em uma rua que é mais conhecida como Rua do Feijão Queimado do que pelo seu próprio nome. Até nos correios a rua onde fica minha casa é conhecida como rua do feijão queimado... Os mais antigos contam que as moradoras dessa rua ficavam conversando nos portões de suas casas e o feijão que estava no fogão queimava...
É mesmo uma rua muito alegre. Todos os feriados eu e alguns vizinhos fazemos churrascos à noite, que vão até altas horas. Colocamos a churrasqueira na calçada e cadeiras de praia bem de fronte à minha casa. Na minha última cirurgia fiquei imobilizado durante algumas semanas e para poder me locomover dentro de casa alguém arrumou uma cadeira de rodas. Já que minha casa não tem degraus internos eu me locomovia facilmente.
Fato é que era carnaval e o churrasco estava preparado para a noite. Ah, não deu outra! Lá fui eu para a calçada na cadeira de rodas... Em um determinado momento um dos vizinhos me disse:
- Miguel, em cada carnaval você prepara uma fantasia. Gostei dessa que você preparou este ano... Você careca, com gesso na perna e nesta cadeira de rodas. Tá bem original!
Todos riram muito e confirmei que também tinha gostado da minha ideia de paciente do SUS.
Mal sabia ele que eu estava passando pela quinta cirurgia de melanoma... 

domingo, 17 de abril de 2011

SUPERANDO A FALTA DA(S) PERNA(S)

Ser diferente não é obstáculo para ninguém. Se você pensa que não ter pernas pode impedir alguém de praticar esportes, subir escadas, criar filhos, e viver uma vida normal, está muito enganado. Conheça 10 pessoas que, mesmo em face à diversidade, fizeram melhor do que muita gente:

1) O LUTADOR COM APENAS UMA PERNA QUE FOI CAMPEÃO NACIONAL
O americano Anthony Robles nasceu com apenas uma perna, mas isso não o impediu de se tornar campeão nacional em sua categoria. Antony até ganhou o prêmio de lutador destaque. Ele acredita que tem uma pegada forte justamente por causa de suas muletas.
2) O JOGADOR DE FUTEBOL AMERICANO SEM PERNAS
Bobby Martin demonstra muita força de vontade. Ele nasceu sem pernas, mas realmente joga futebol americano (não, a fotografia não é Photoshop). Ele também foi escolhido como “rei” de uma festa americana popular que abre a temporada de jogos. Bobby fez campanha para rei por toda a escola, além de dar um discurso apaixonante que terminou com o garoto fazendo flexões. Pelo menos um dos seus adversários pediu desculpas para concorrer contra ele, e ainda prometeu votar no corajoso rapaz.
3) A MENINA QUE USAVA UMA BOLA DE BASQUETE COMO MEMBRO PROTÉTICO
Qian Hongyan inspirou milhões com sua ambição de competir como nadadora nos Jogos Paraolímpicos de 2012 em Londres. Em 2000, ela se feriu tragicamente em um acidente de carro, quando tinha apenas 3 anos. Para garantir sua sobrevivência, os médicos foram obrigados a amputar suas pernas. A família de Qian, que vive em Zhuangxia, China, não pode comprar próteses modernas para a garota, e em vez disso utilizou metade de uma bola de basquete para apoiá-la. Uma vez na bola, ela usa dois suportes de madeira para ajudá-la a se movimentar. A garota vai sozinha para a escola. Sua história é amplamente divulgada na China, o que chamou a atenção do governo, e hoje Qian tem um bom par de pernas protéticas. Ainda assim, a garota diz que gosta de usar a bola, pois é mais fácil de entrar e sair da piscina com ela.
4) O HOMEM SEM PERNAS QUE CORREU A MARATONA DE NOVA YORK
Lance Benson também é um dos que nasceu sem as pernas. No entanto, ele compete em eventos esportivos, sentando-se em cima de um skate e usando as mãos para se impulsionar. Já completou a Maratona de Nova York em apenas 3 horas e 37 minutos. Para um homem que desde criança se recusou a sentar em uma cadeira de rodas, e desde bebê aprendeu a andar em próteses, isso faz bastante sentido.
5) O DANÇARINO SEM PERNAS QUE SE TORNOU UMA ESTRELA NA ÍNDIA
Um dançarino de hip-hop sem pernas participou de um programa televisivo indiano e tornou-se uma estrela. Vinod Thakur nasceu sem pernas, e rapidamente aprendeu a andar sobre as mãos. O programa lhe deu um prêmio de cerca de 184 mil reais, muito longe dos 230 reais que ele ganha por mês concertando celulares. O estudante de economia aprender a dançar através de vídeos, cinco meses antes de saltar para a fama na TV.
6) A MULHER QUE CRIOU 130 CRIANÇAS
Xu Yuehua, que perdeu as pernas em um acidente de trem aos 13 anos, passou 37 anos cuidando de crianças em um instituto da previdência social. Ela já criou mais de 130 crianças. A mulher se move usando banquinhos, e é chamada carinhosamente de “Mamãe Banquinho” pelos miúdos. Xu Yuehua, órfã em tenra idade, se dedica a criar crianças no mesmo lugar que a ajudou no passado, e diz ser muito feliz e não se arrepender de sua escolha em nenhum momento.
7) O SKATISTA SEM PERNAS
Italo Romano é um talentoso skatista sem pernas. Sua vida e a maneira como ele conseguiu superar esse grande obstáculo ilustra como a mente e o corpo humano podem se adaptar muito bem frente à adversidade. É só querer.
8 ) O FOTÓGRAFO QUE TIRA FOTOS DE QUEM O ENCARA
A história de vida de Kevin Connolly é interessante: quando ele tinha dez anos, sua família o levou para a Disney , e ele rapidamente se tornou uma das atrações do parque. Nascido sem pernas, Kevin se acostumou aos olhares de estranhos, mas, naquele momento, começou a entender que a direção do olhar poderia funcionar nos dois sentidos. Em uma viagem à Europa, mais de uma década depois, ele percebeu um homem o encarando. Ergueu sua câmera e começou a tirar fotos do homem. Kevin repetiu essa ação 32.000 vezes mais durante suas viagens, criando um portfólio diversificado de indivíduos. Enquanto gratificante artisticamente, é também importante para o rapaz afastar os estereótipos. Kevin também comenta outras coisas que percebeu durante sua odisséia fotográfica: muitas das pessoas que o conheceram não esperaram que ele explicasse porque não tinha pernas. Em vez disso, sugeriram situações, adaptadas ao seu ambiente ou tiradas de suas sensibilidades pessoais. Por exemplo, quando estava na Nova Zelândia, uma mulher perguntou se ele foi vítima de um tubarão. Na Romênia, algumas pessoas pensaram que ele era um mendigo. Em um bar americano, um homem lhe comprou uma cerveja e o agradeceu por seus serviços, pensando que ele era um veterano da Guerra do Iraque.
9) O HOMEM SEM PERNAS QUE ESCALOU A MURALHA DA CHINA
O chinês Huang Jianming perdeu as pernas num acidente. Ele teve que amputá-las em 1994, depois de literalmente cair de um trem de alta velocidade. Medindo 85 centímetros e pesando 39 quilos, ele se autodenomina “meio homem”, pois tornou-se a metade do tamanho de uma pessoa média. Em 2006, ele subiu a Grande Muralha da China durante duas horas, usando apenas a força bruta dos braços, em frente a centenas de turistas abismados. Ele conta que o acidente mudou totalmente sua vida. Sem pernas, sua esposa o abandonou achando que ele não poderia mais sustentá-la, mas o homem seguiu determinado a viver uma vida normal. Ele começou a praticar caligrafia e se tornou um artista ambulante, perambulando por mais de 20 cidades chinesas em dez anos. Um verdadeiro exemplo.
10) O ACROBATA SEM PERNAS
O americano Eli Bowen nasceu em 1844 com pés desproporcionais diretamente ligados à sua pélvis. Ou seja, com pés, mas sem pernas. Apesar de sua configuração física, ou talvez por causa dela, Eli se esforçou para viver uma vida extraordinária. Ele queria ser um acrobata e aprendeu desde cedo a usar seus braços e mãos para compensar sua falta de pernas. Usava blocos de madeira como “sapatos”, elevando seu tronco, a fim de caminhar sobre as mãos. Como resultado desse processo, desenvolveu uma enorme força. Eli iniciou sua carreira profissional com 13 anos e chegou a realizar turnês independentemente. Anunciado como o “acrobata sem pernas”, Eli foi aplaudido internacionalmente por sua rotina extraordinária em um mastro. Apesar de seu pequeno tamanho, ele se esticava paralelo ao chão e girava em torno de um mastro de 12 metros. Além de gracioso acrobata, Eli ficou conhecido por sua bela aparência e, a certa altura, foi considerado o homem mais bonito do show business