quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ENTREVISTA COM ATIVISTA ALBINO ANGOLANO

MOISÉS CARDOSO DO MOVIMENTO PRO-ALBINO
Pes­soas com albi­nismo con­ti­nuam pre­o­cu­pa­das com a dis­cri­mi­na­ção

Armando Sapalo
22 jan. 2026

O Censo Geral da Popu­la­ção e Habi­ta­ção de 2024 con­ta­bi­li­zou a exis­tên­cia de cerca de 599.028 pes­soas com albi­nismo em Angola, cor­res­pon­dendo a 1,6% da popu­la­ção.

No dia 9 de Julho de 2025, por ini­ci­a­tiva de pes­soas pre­o­cu­pa­das com o pro­blema de dis­cri­mi­na­ção, foi ins­ti­tu­ído, em Luanda, o Movi­mento Pro Albino de Angola (MOVALBA), cuja I Assem­bleia Geral de elei­ção e empos­sa­mento dos órgãos soci­ais da orga­ni­za­ção acon­te­ceu a 12 de Dezem­bro do mesmo ano.

Com a base no pro­pó­sito social, os mem­bros ele­ge­ram como pre­si­dente do movi­mento, Moi­sés dos San­tos Car­doso, for­mado em Enge­nha­ria de Com­pu­ta­ção.

Em Entre­vista ao Jor­nal dean­gola, o líder da orga­ni­za­ção falou do movi­men­tode que reco­nhe­ceu a impor­tân­cia da apro­va­ção do Decreto Pre­si­den­cial Plano de Apoio e Pro­tec­ção às Pes­soas com Albi­nismo 2023-2027 (PAPPA 2027) n.º 193/23 de 9 de Outu­bro que visa à cri­a­ção de con­di­ções para a defesa dessa franja social, mas, disse em nome do MOVALBA que a grande pre­o­cu­pa­ção está nas bar­rei­ras invi­sí­veis que ainda per­sis­tem.
Rela­tos dizem que o Movi­mento Pró-albino de Angola pre­tende ser uma pla­ta­forma de arti­cu­la­ção de Asso­ci­a­ções e pes­soas sin­gu­la­res enga­ja­das na pro­mo­ção e defesa dos Direi­tos das Pes­soas com Albi­nismo. O que é que isso repre­senta?

Repre­senta, para nós, uma mudança de para­digma em como os desa­fios enfren­ta­dos por Pes­soas com Albi­nismo, em Angola, podem ser ende­re­ça­dos de forma con­junta e coor­de­nada, envol­vendo gru­pos e asso­ci­a­ções que já actuam em prol do albi­nismo, a socie­dade e o Estado ango­lano.

O movi­mento surge da neces­si­dade de con­gre­gar esses esfor­ços, cri­ando uma voz colec­tiva mais forte e uma capa­ci­dade de acção coor­de­nada.

MOVALBA não vem subs­ti­tuir as asso­ci­a­ções fili­a­das, mas cria siner­gia entre elas. Pro­põe-se a faci­li­tar a par­ti­lha e adop­ção de boas prá­ti­cas, coor­de­nar res­pos­tas às neces­si­da­des naci­o­nais e for­ta­le­cer a advo­ca­cia junto do Estado e par­cei­ros.

Em ter­mos prá­ti­cos, isto sig­ni­fica que uma solu­ção bem-suce­dida imple­men­tada, por exem­plo, em Luanda pelas 4As (Asso­ci­a­ção de Apoio aos Albi­nos de Angola), pode ser adap­tada e repli­cada nou­tra pro­vín­cia atra­vés da nossa rede. Sig­ni­fica que quando fala­mos com os minis­té­rios sobre polí­ti­cas públi­cas, fala­mos em nome de uma pla­ta­forma naci­o­nal repre­sen­ta­tiva, não ape­nas de uma asso­ci­a­ção local.
Que ava­li­a­ção faz da situ­a­ção e con­di­ção da pes­soa com albi­nismo em Angola?

Reco­nheço pro­gres­sos sig­ni­fi­ca­ti­vos, mas, há um longo cami­nho a per­cor­rer. Os avan­ços são notá­veis. A apro­va­ção do PAPPA 2027 pelo Decreto Pre­si­den­cial 193/23 é um marco his­tó­rico bem como a inclu­são do Albi­nismo no Censo 2024 que demons­tra de forma clara que o Estado reco­nhece a impor­tân­cia de melhor conhe­cer os demo­grá­fi­cos deste grupo, para melhor aten­der as suas neces­si­da­des.
Pre­ten­der que pre­ci­sem dessa advo­ca­cia é assu­mir que em Angola há dis­cri­mi­na­ção desse seg­mento?

Sim, infe­liz­mente, a dis­cri­mi­na­ção existe, mas quero ser claro sobre o que isso sig­ni­fica e como deve­mos abordá-la.

A dis­cri­mi­na­ção nem sem­pre é deli­be­rada ou vio­lenta. Mui­tas vezes, mani­festa-se em for­mas sub­tis, mas pro­fun­da­mente pre­ju­di­ci­ais. A cri­ança com albi­nismo sen­tada ao fundo da sala por­que o pro­fes­sor não com­pre­ende as suas neces­si­da­des visu­ais.
“Governo ango­lano, repre­sen­tado pela minis­tra de Estado para Área Social, Mária Bra­gança está com­pro­me­tido com a causa”

O can­di­dato qua­li­fi­cado pre­te­rido numa entre­vista de emprego por causa de pre­con­cei­tos incons­ci­en­tes; a pes­soa com albi­nismo que evita espa­ços públi­cos por causa dos olha­res insis­ten­tes e comen­tá­rios ou o erro no uso fre­quente de con­cei­tos des­con­ti­nu­a­dos, como é o caso da carac­te­ri­za­ção do albi­nismo como “doença”.

Mas, é impor­tante real­çar que a dis­cri­mi­na­ção não reflecte a natu­reza do povo ango­lano, reflecte a falta de conhe­ci­mento. A maior parte das pes­soas não dis­cri­mina por mal­dade, mas por não com­pre­en­der o albi­nismo.

É por isso que a advo­ca­cia é essen­cial. Não para apon­tar dedos ou cul­par, mas para edu­car, escla­re­cer e trans­for­mar. A advo­ca­cia que prat i camos é cons­tru­tiva. Tra­ba­lha­mos com as ins­ti­tui­ções, não con­tra elas, dia­lo­ga­mos com comu­ni­da­des, não as con­de­na­mos, mas ofe­re­ce­mos solu­ções e não ape­nas denún­cias.
Onde é que mais sen­tem e de que forma, na vossa apre­ci­a­ção, se efec­tiva essa dis­cri­mi­na­ção às pes­soas com albi­nismo?

A dis­cri­mi­na­ção mani­fes­tase em múl­ti­plas esfe­ras, mui­tas vezes de forma inter­li­gada.

As famí­lia e as comu­ni­da­des são fre­quen­te­mente os pri­mei­ros e mais dolo­ro­sos pon­tos de exclu­são. Algu­mas famí­lias escon­dem cri­an­ças com albi­nismo por ver­go­nha, negam-lhes opor­tu­ni­da­des edu­ca­ti­vas ou tra­tam-nas como fardo. Há tes­te­mu­nhos de mães que foram acu­sa­das de infi­de­li­dade por terem dado luz a uma cri­ança com albi­nismo, de pais que aban­do­na­ram a famí­lia. Em cer­tas comu­ni­da­des, per­sis­tem cren­ças de que o albi­nismo é mal­di­ção ou cas­tigo. Esta rejei­ção ini­cial cria feri­das emo­ci­o­nais pro­fun­das que acom­pa­nham a pes­soa por toda a vida.

No sis­tema edu­ca­tivo, há cri­an­ças com albi­nismo que enfren­tam desa­fios úni­cos. Pre­ci­sam sen­tar-se à frente devido à baixa visão. Neces­si­tam de mate­ri­ais ampli­a­dos, sofrem com a lumi­no­si­dade exces­siva. Mas, mui­tas esco­las não estão pre­pa­ra­das. Pro­fes­so­res sem o devido treino ou conhe­ci­mento, inter­pre­tam mal estas neces­si­da­des. Cole­gas pra­ti­cam bull­ying, e o resul­tado é aban­dono esco­lar ou apro­vei­ta­mento muito abaixo do poten­cial. A dis­cri­mi­na­ção aqui não é sem­pre inten­ci­o­nal, mas é devas­ta­dora.
E no mer­cado de tra­ba­lho?

Mesmo pes­soas com albi­nismo alta­mente qua­li­fi­cado enfren­tam bar­rei­ras invi­sí­veis. Há o pre­con­ceito, a dis­cri­mi­na­ção esté­tica em cer­tos sec­to­res bem como a falta de adap­ta­ções razo­á­veis nos locais de tra­ba­lho. Há mui­tos jovens for­ma­dos com albi­nismo, mas que per­ma­ne­cem desem­pre­ga­dos não por falta de com­pe­tên­cia, mas por falta de opor­tu­ni­dade.
Como tem sido o acesso à Saúde?

A dis­cri­mi­na­ção aqui é mais sub­til, mas, igual­mente, grave. Não é que sejam recu­sa­dos cui­da­dos, mas o sis­tema de saúde enfrenta desa­fios que con­di­ci­o­nam os níveis e a abran­gên­cia dos ser­vi­ços de saúde vira­dos para aten­der às necess i dades espe­cí­fi­cas de pes­soas com albi­nismo. Há insu­fi­ci­ên­cia a nível naci­o­nal de der­ma­to­lo­gis­tas e oftal­mo­lo­gis­tas para aten­der às suas espe­ci­fi­ci­da­des, os pro­tec­to­res sola­res ainda não são con­si­de­ra­dos medi­ca­men­tos essen­ci­ais, o ras­treio pre­coce de can­cro de pele não é sis­te­má­tico.
E nos espa­ços públi­cos?

A pes­soa com albi­nismo, mui­tas vezes, sente-se como objecto de curi­o­si­dade. Olha­res insis­ten­tes, comen­tá­rios, foto­gra­fias não soli­ci­ta­das. Isto, por vezes, cria ansie­dade social e leva ao iso­la­mento.

Mas, deixo uma nota de espe­rança: cada um des­tes desa­fios tem solu­ção. Famí­lias podem ser apoi­a­das com acon­se­lha­mento e recur­sos. Esco­las podem ser trans­for­ma­das com for­ma­ção de pro­fes­so­res e mate­ri­ais adap­ta­dos. O mer­cado de tra­ba­lho pode ser mais inclu­sivo com polí­ti­cas de não-dis­cri­mi­na­ção e quo­tas. A saúde pode melho­rar com pro­to­co­los ade­qua­dos e mais espe­ci­a­lis­tas. E a socie­dade pode mudar com edu­ca­ção e sen­si­bi­li­za­ção.
Sabe-se que há uma outra ins­ti­tui­ção, Asso­ci­a­ção de Apoio de Albi­nos de Angola (4As), que tra­ba­lha para a inclu­são social, mas essa é a pri­meira que se pro­põe a pro­mo­ver e a defen­der os direi­tos. Sen­ti­ram algum vazio?

Gos­ta­ria pri­meiro de cor­ri­gir a pre­missa: a Asso­ci­a­ção de Apoio aos Albi­nos de Angola (4As) e outras asso­ci­a­ções sem­pre pro­mo­ve­ram e defen­de­ram direi­tos, têm feito um tra­ba­lho extra­or­di­ná­rio e pio­neiro nesse sen­tido. O Movi­mento Pró-albino de Angola não surge por­que elas falha­ram, mas por­que o seu sucesso criou uma nova neces­si­dade e opor­tu­ni­dade. As asso­ci­a­ções como a 4As, OYO, ALPA e outras plan­ta­ram as semen­tes, cul­ti­va­ram o ter­reno, e agora vemos uma flo­resta a cres­cer. O Movi­mento é a estru­tura que per­mite a essa flo­resta flo­res­cer de forma coor­de­nada. O que iden­ti­fi­cá­mos não foi um vazio, mas, sim, uma opor­tu­ni­dade.

Pri­meiro, iden­ti­fi­cam-se esfor­ços dis­per­sos. As asso­ci­a­ções fazem um tra­ba­lho mag­ní­fico, mas, mui­tas vezes, iso­la­da­mente, cada uma na sua pro­vín­cia ou comu­ni­dade. Boas prá­ti­cas desen­vol­vi­das por exem­plo em Luanda não che­ga­vam ao Huambo, recur­sos mobi­li­za­dos em Ben­guela não bene­fi­ciam o Cunene, há dupli­ca­ção de esfor­ços em algu­mas áreas e lacu­nas nou­tras.

Segundo, a voz colec­tiva ainda é frag­men­tada. Quando cada asso­ci­a­ção dia­loga indi­vi­du­al­mente com minis­té­rios ou par­cei­ros, a men­sa­gem é menos impac­tante do que quando fala­mos com uma voz uni­fi­cada, repre­sen­tando uma pla­ta­forma naci­o­nal.

Ter­ceiro, a capa­ci­dade téc­nica e ins­ti­tu­ci­o­nal é vari­á­vel. Algu­mas asso­ci­a­ções têm estru­tu­ras for­tes, outras são mais infor­mais. O Movi­mento vai per­mi­tir a par­ti­lha de conhe­ci­mento, for­ma­ção e apoio mútuo, for­ta­le­cendo a todas.

Quarto, fal­tava uma estru­tura para advo­ca­cia sis­te­má­tica e moni­to­ri­za­ção de polí­ti­cas públi­cas. O PAPPA 2027 existe, mas, pre­ci­sa­mos de uma estru­tura que acom­pa­nhe a sua imple­men­ta­ção efec­tiva e que dia­lo­gue tec­ni­ca­mente com o Estado a nível naci­o­nal.
O movi­mento pre­tende fazer o cadas­tro ou, se não, a par­tir de que bases vai tra­ba­lhar sem saber quan­tos são em número ?

Temos como base ini­cial o Censo de 2024 que con­ta­bi­li­zou a exis­tên­cia de cerca de 599.028 pes­soas com albi­nismo em Angola, cor­res­pon­dendo a 1,6% da popu­la­ção.

Um tra­ba­lho sub­se­quente com as auto­ri­da­des e asso­ci­a­ções locais será neces­sá­ria para melhor afe­rir a dis­tri­bui­ção ter­ri­to­rial efec­tiva deste grupo e reais neces­si­da­des e desa­fios que enfren­tam.
“Igreja Cató­lica dá exem­plo de inclu­são social, atra­vés da eli­mi­na­ção de prá­ti­cas tra­di­ci­o­nais dis­cri­mi­na­tó­rias”

O Movi­mento vai ava­liar a imple­men­ta­ção de forma fase­ada, de um Registo Naci­o­nal de Pes­soas com Albin i s mo, a p e n a s , c a s o s con­di­ci­o­nan­tes legais e boas prá­ti­cas sejam satis­fei­tas como ali­nha­mento com a Lei de Pro­tec­ção de Dados Pes­so­ais de Angola.
A orga­ni­za­ção pensa em pro­por a cri­mi­na­li­za­ção no âmbito da pro­mo­ção e defesa dos direi­tos das pes­soas com albi­nismo?

Sim, mas, com cui­dado estra­té­gico sobre o que, como e quando cri­mi­na­li­zar.

Angola não enfrenta o mesmo nível de vio­lên­cia extrema que Tan­zâ­nia ou Malawi. A nossa abor­da­gem cri­mi­nal deve ser cali­brada à nossa rea­li­dade, não copiar cega­mente legis­la­ções dese­nha­das para con­tex­tos dife­ren­tes. Pro­po­mos cri­mi­na­li­zar espe­ci­fi­ca­mente o gra­va­mento de penas de cri­mes por ódio, que envol­vam a vio­lên­cia, seques­tro, muti­la­ção ou homi­cí­dio de cida­dãos, pelo sim­ples facto de serem pes­soas com albi­nismo.

Prá­ti­cas tra­di­ci­o­nais pre­ju­di­ci­ais: Ritu­a­li­za­ção de par­tes cor­po­rais de pes­soas com albi­nismo deve ser tipi­fi­cada como crime espe­cí­fico. Inci­ta­ção pública à vio­lên­cia deve ser puní­vel.

Dis­cri­mi­na­ção ins­ti­tu­ci­o­nal grave. Recusa de matrí­cula esco­lar ou demis­são expli­ci­ta­mente por motivo de albi­nis­mo­de­vem­ter­con­se­quên­cias legais cla­ras (não neces­sa­ri­a­mente cri­mi­nais, podem ser cíveis ou admi­nis­tra­ti­vas).
Que ideias e ini­ci­a­ti­vas pre­ten­dem levar, como pri­o­ri­da­des, às i nsti­tui­ções do Estado?

Não pode­mos ir às ins­ti­tui­ções ape­nas com prin­cí­pios gerais. Pre­ci­sa­mos de pro­pos­tas espe­cí­fi­cas, cus­te­a­das e ali­nha­das com capa­ci­da­des do Estado.

Pro­grama p r i meiro emprego i nclu­sivo com sub­sí­dios tem­po­rá­rios, F u n d o d e Ap o i o a o Empre­en­de­do­rismo com micro­cré­dito boni­fi­cado, casa que pro­te­gem.

Quanto à Jus­tiça, For­ma­ção espe­ci­a­li­zada para polí­cia e magis­tra­dos Linha Verde de Denún­cia com res­posta

em 72h de deta­lha­das com orça­men­tos rea­lis­tas, advo­ca­cia mul­ti­ní­vel (minis­té­rios, par­la­mento, par­cei­ros inter­na­ci­o­nais), e imple­men­ta­ção piloto antes de esca­lar naci­o­nal­mente sonhos e capa­ci­da­des q ue devem s e r valo­ri­za­dos e rea­li­za­dos.
O que está em car­teira sobre os desa­fios de saúde ?

O can­cro de pele é a ame­aça mais grave e pre­ve­ní­vel que pes­soas com albi­nismo enfren­tam. Sem pro­tec­ção ade­quada, estes desen­vol­vem o can­cro em média aos 2030 anos (con­tra 607 0 a nos na popu­la­ção geral). Estu­dos regi­o­nais

i ndi­cam que é causa de morte pre­ma­tura em 6080% dos casos sem inter­ven­ção. Mas a boa notí­cia: com pro­tec­ção solar ade­quada desde a infân­cia, o risco reduz em 90%.

O nosso plano inte­gra cinco pila­res a imple­men­tar de forma fase­ada. Pre­ven­ção Pri­má­ria: Pro­grama "Sol Seguro" garan­tindo acesso con­tí­nuo a pro­tec­tor solar de qua­li­dade atra­vés do SNS. Dis­tri­bui­ção de ves­tu­á­rio e aces­só­rios de pro­tec­ção UV. Cam­pa­nhas "ABC da Pro­tec­ção Solar" com mate­ri­ais em por­tu­guês e lín­guas naci­o­nais.

Cam­pa­nhas de Sen­si­bi­li­za­ção, Moni­to­ri­za­ção: Sis­tema "Pele­vi­gi­lân­cia" com registo naci­o­nal de casos, per­mi­tindo medir impacto do pro­grama de pre­ven­ção.

Par­ce­rias essen­ci­ais: MINSA (pro­tec­ção solar, con­sul­tas), Minis­té­rio da Edu­ca­ção (cam­pa­nhas esco­la­res), sec­tor pri­vado (for­ne­ci­mento a pre­ços soci­ais), par­cei­ros.
Um fundo espe­cial para lidar com a con­di­ção da pes­soa com albi­nismo ou a sub­ven­ção dos medi­ca­men­tos?

Apoi­a­mos for­te­mente esta pro­posta. É neces­sá­rio. Ter, na famí­lia, mem­bros com albi­nismo cria cus­tos adi­ci­o­nais que famí­lias vul­ne­rá­vei s não c onse­guem supor­tar. Pro­tec­tor solar de qua­li­dade custa Kz entre 10.000-50.000. Ócu­los cus­tam Kz 30.000-300.000. Para famí­lia com renda de Kz 50.000-150.000/mês, estes cus­tos são proi­bi­ti­vos. O resul­tado: famí­lias raci­o­na­li­zam pro­tec­tor, sal­tam con­sul­tas, cri­an­ças fal­tam à escola. O fundo eli­mina esta bar­reira finan­ceira.
A Fun­da­ção Bri­lhante tem estado a dis­tri­buir cre­mes de pro­tec­ção da pele a cri­an­ças, ado­les­cen­tes e adul­tos em algu­mas pro­vín­cias do país. Con­si­dera ser um avanço e pre­o­cu­pa­ção para com as pes­soas com albi­nismo?

Abso­lu­ta­mente, sim. Quero ser enfá­tico no reco­nhe­ci­mento por­que é impor­tante cele­brar quem age.

A Fun­da­ção Bri­lhante e outras orga­ni­za­ções com os seus pro­gra­mas de Res­pon­sa­bi­li­dade Social Cor­po­ra­tiva (RSC) têm demons­trado com as suas acções sen­si­bi­li­dade social e com­pre­en­são de que empre­sas têm res­pon­sa­bi­li­dade para além do lucro. Em mui­tos paí­ses, empre­sas falam de Res­pon­sa­bi­li­dade Social Cor­po­ra­tiva (RSC), mas não agem. A Fun­da­ção está a agir, e merece aplau­sos.

PALMEIRA ALBINA?

No Acre, palmeira ‘albina’ é vista pela primeira vez na história e intriga pesquisadores

O caso agora será acompanhado para entender quanto tempo os indivíduos conseguem sobreviver e como será o desenvolvimento deles
Pesquisadores que participavam de uma expedição científica na Estação Ecológica Rio Acre, no Acre, encontraram, na última semana, dois exemplares de palmeira ouricuri sem clorofila — uma condição rara que impede a planta de realizar fotossíntese e que ainda não tem registros para essa espécie na literatura científica. O caso agora será acompanhado para entender quanto tempo os indivíduos conseguem sobreviver e como será o desenvolvimento deles. Os detalhes foram publicados em uma matéria do site O ECO.
Os exemplares foram localizados durante uma atividade de campo voltada à amostragem de vegetação dentro da unidade de conservação/Foto: Reprodução
A espécie é a Attalea phalerata, conhecida na região como ouricuri. Os exemplares foram localizados durante uma atividade de campo voltada à amostragem de vegetação dentro da unidade de conservação.
Segundo a professora Rita Portela, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as plantas ainda são jovens e já não dependem mais do fruto de origem, o que aumenta a incerteza sobre a sobrevivência.
“São dois indivíduos pequenos ainda, mas não estão ligados ao fruto, já estão desconectados do fruto, então a gente na verdade não sabe como vai ser porque eles não têm clorofila”, explicou a pesquisadora.
Rita Portela, que estuda palmeiras há cerca de 20 anos, afirma que não encontrou registros científicos de albinismo para a Attalea phalerata. De acordo com ela, os poucos relatos existentes envolvem plantas cultivadas e espécies usadas em laboratório.
“Demos uma busca na literatura e só achamos relatos de albinismo em espécies que são cultivadas, como tabaco, cacau e uma espécie muito usada para experimentos que é a Arabidopsis thaliana. Eu trabalho há mais de 20 anos com palmeiras da Mata Atlântica e também nunca vi e não vi nenhum relato”, disse.
A expedição integra uma disciplina de campo realizada em parceria entre a UFRJ e a Universidade Federal do Acre (UFAC), dentro dos programas de pós-graduação em Ecologia mantidos pelas duas instituições.
A Estação Ecológica Rio Acre é considerada uma das áreas mais isoladas e preservadas da Amazônia brasileira. A unidade de proteção integral, administrada pelo governo federal, possui cerca de 80 mil hectares.
De acordo com a pesquisadora, o ouricuri tem papel importante no ecossistema, pois seu fruto é amplamente consumido pela fauna, sendo classificado como recurso-chave para diversas espécies.
Sobre os próximos passos, ela destacou que haverá monitoramento oficial dos exemplares: “O ICMBio vai acompanhar para ver se ela irá sobreviver e até quando sem clorofila”.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

DESINFORMAÇÃO

Douglas Souza da Silva Mariano, empresário de 29 anos no Rio de Janeiro, começou a falar publicamente sobre uma situação que ele vive com frequência desde que a filha, Manuella, nasceu: ele é negro, ela é albina — e muita gente acha “normal” questionar se os dois são mesmo pai e filha.

O resultado vai de olhares atravessados a falas diretas, ditas sem nenhum constrangimento.

Em um dos relatos que ele publicou no TikTok, Douglas conta que levou a bebê a um posto de saúde e ouviu da atendente algo na linha de “só posso atender com um responsável, pai ou mãe”, como se ele não pudesse ser o pai ali, na frente dela.

Em outro momento, veio a pergunta que parece elogio, mas carrega suspeita: “Que linda… de quem é?”. Não foi um caso isolado; virou rotina.

Os vídeos se espalharam rápido e alguns chegaram perto de 2 milhões de visualizações. Douglas diz que nem esperava repercussão — a ideia inicial era tratar como um vídeo bem-humorado, quase um “meme”, do tipo: “a gente não vai baixar a cabeça pra preconceito”.

Só que o alcance trouxe uma coisa maior: mensagens de apoio, relatos de outras famílias e um monte de gente dizendo “eu já passei por isso”.

Mesmo tentando levar com leveza nas redes, ele deixa claro que os comentários do dia a dia não têm nada de engraçado. Segundo Douglas, quase sempre são falas atravessadas, desconfiadas e insistentes, que revelam mais ignorância do que curiosidade genuína.

Ele diz que aprendeu a não bater boca toda hora, porque entende que muita gente fala sem ter a menor noção do que é albinismo — e, pior, sem perceber o peso racial e social da desconfiança quando um pai negro está com uma criança de pele clara.

Foi justamente por isso que ele decidiu usar a visibilidade para explicar o tema. Douglas passou a comentar sobre albinismo de forma simples, prática, e com exemplos reais do que a família enfrenta.

Na visão dele, informação muda o clima: quando as pessoas entendem o básico, elas tendem a respeitar mais — e pensam duas vezes antes de soltar uma “piadinha” ou uma pergunta invasiva.

A história da chegada de Manuella também tem um detalhe bem cotidiano. A descoberta da gravidez veio em julho de 2024, durante um almoço: a esposa brincou dizendo que estava com “fome de grávida”.

Douglas entrou na brincadeira, comprou um teste numa farmácia e, para surpresa geral, deu positivo — e já indicava cerca de duas semanas. Ele conta que demorou alguns minutos pra cair a ficha, porque parecia pegadinha.

A gestação correu bem e Manuella nasceu em 28 de janeiro de 2025. No parto, Douglas lembra de perceber rapidamente os traços da filha — especialmente o cabelo bem clarinho. A equipe chegou a comentar que ela era “loira”, mas logo veio a confirmação médica: albinismo.

Na família da esposa já existiam casos, mas Douglas admite que, quando ouviu o diagnóstico, bateu uma preocupação real.

Não por achar que a filha teria “limitações”, e sim por pensar no mundo lá fora: o tipo de preconceito que ela poderia enfrentar, os cuidados necessários e o medo de não saber lidar com tudo no começo.

Depois do susto, com orientação médica e mais conhecimento, ele foi entendendo que o albinismo exige atenção — mas não define a vida de uma criança.

Hoje, Douglas fala do assunto com mais tranquilidade: para ele, é uma condição que pede acompanhamento e alguns hábitos, não um rótulo que reduz a filha a isso.

Em casa, o foco é criar um ambiente em que a Manuella cresça com segurança e autoestima, para que, quando for maior e começar a entender o tema, a conversa venha com naturalidade e sem vergonha.


Nos cuidados práticos, ele destaca principalmente proteção contra o sol e acompanhamento oftalmológico regular, já que o albinismo costuma exigir atenção especial à pele e à visão.

Fora isso, Douglas descreve a rotina da filha como a de qualquer bebê: brinca, dá risada, aprende coisa nova todo dia e segue crescendo feliz — enquanto ele tenta fazer sua parte para que as pessoas parem de tratar uma família real como se fosse uma “dúvida ambulante”

PSICOLOGIA DA SUPERAÇÃO

O 'menino albino' supera a baixa visão e se torna mestre em psicologia.

Nascido com albinismo e visão limitada, Thach Tran Bach Long chegou a ter muitas dúvidas sobre o seu futuro.

bạch tạng - Ảnh 1.
Mestre em Ciências Thach Tran Bach Long durante uma apresentação sobre temas de psicologia escolar em uma escola primária na cidade de Ho Chi Minh - Foto: Fornecida pelo entrevistado.

No entanto, superando essas limitações, ele se tornou um mestre em psicologia e implementou projetos para apoiar a comunidade de albinistas e estudantes desfavorecidos.

Nas memórias de infância de Long, sua maior preocupação não eram apenas os estudos, mas a pergunta recorrente: com sua aparência peculiar e visão deficiente, ele seria capaz de ter uma vida estável e um emprego como todos os outros?
Aprenda a respeitar seus limites.

Recordando sua infância, Long disse que costumava cozinhar mingau de carne de porco com sua mãe para sustentar a família. Sua infância foi marcada pela vida simples e trabalhadora de uma área rural pobre.

Sendo albino, com apenas cerca de 1/10 da visão e pertencente a um grupo étnico minoritário, as limitações físicas e as circunstâncias de Long eram evidentes em seu cotidiano desde tenra idade. Naquela época, as informações sobre albinismo eram escassas e faltavam modelos positivos que o convencessem de que ele ainda poderia viver de forma independente e ser útil à sociedade.

"Não sou só eu que carrego essa preocupação; meus pais e entes queridos também a sentem constantemente em seus corações", compartilhou Long.

A visão deficiente o impedia de enxergar o quadro-negro com clareza e de fazer anotações como seus colegas. Durante muitas horas de aula, Long precisava pedir a outros que lessem o material em voz alta para ele. Consciente de suas limitações, desde a infância até a universidade, ele sempre se preparava proativamente para as aulas em casa e fazia perguntas aos professores e palestrantes com confiança quando não entendia algo.

Durante algumas apresentações, ele precisava memorizar todo o conteúdo porque não conseguia enxergar os slides com clareza. A visão deficiente também fazia com que Long cometesse pequenos erros com frequência, como erros de ortografia, confusão com números e erros de pontuação. Em vez de evitá-los, ele aprendeu a aceitar suas limitações e a encontrar maneiras de se adaptar.

Durante seus estudos de graduação e pós-graduação na Universidade de Educação da Cidade de Ho Chi Minh, o grande volume de materiais e pesquisas fazia com que o tempo de estudo de Long fosse frequentemente três ou quatro vezes maior do que o de seus colegas. Ele levou quatro anos para concluir seu mestrado, mas nunca pensou em desistir.

A jornada de Long na psicologia começou quando ele assistiu por acaso ao programa "22 Hours Story". Ele ficou impressionado com a maneira como o Professor Huynh Van Son e a Professora Ly Thi Mai ouviam, conversavam e ajudavam os outros a enxergar as coisas sob uma nova perspectiva. Mais tarde, depois de assistir a uma apresentação
em vídeo
para estudantes, ele teve quase certeza de que esse era o caminho que queria seguir.

"Nos momentos mais difíceis, a família é o pilar que me ajuda a não desistir. Pensando nos sacrifícios silenciosos dos meus pais, entendo que não posso parar, mesmo sabendo que o caminho pela frente é muito mais árduo", confidenciou Long.
Continuando a preencher as lacunas que antes me faltavam.

Em vez de encarar as diferenças como desvantagens, Long optou por enfrentá-las com perseverança e empatia. De um menino do campo, ele gradualmente expandiu sua trajetória educacional, tendo a oportunidade de participar de debates sobre
educação
e sociedade em fóruns internacionais sobre albinismo.

Atualmente, o Sr. Long é especialista em treinamento para uma empresa na cidade de Ho Chi Minh. Além de seu trabalho profissional, ele participa regularmente do desenvolvimento e apresentação de temas de psicologia escolar em diversas escolas, auxiliando os alunos em questões de autoconhecimento, pressão acadêmica e relacionamentos.

No TikTok, por meio de seu canal "Albino Official", ele costuma compartilhar vídeos respondendo perguntas e fornecendo informações
científicas
para apoiar pessoas com albinismo. Através desses vídeos, ele contribui para mudar a percepção da comunidade sobre pessoas com albinismo.

Uma das histórias que ele mais se lembra de uma sessão de aconselhamento foi quando um jovem albino lhe perguntou: "Pessoas com albinismo como nós podem exercer profissões como advogados, médicos, professores ou outras?", o que o comoveu profundamente e o fez lembrar de sua própria infância.

"Naquela época, eu disse a ela para começar agora mesmo e contei as histórias das pessoas doentes que eu havia conhecido. Algum tempo depois, ela me mandou uma mensagem dizendo que, graças aos meus vídeos do TikTok, sua família e, mais importante, todos os outros, passaram a ter mais fé nela. Esse é o maior presente que já recebi", compartilhou Long, emocionada.

A motivação de Long para desenvolver projetos gratuitos de comunicação e aconselhamento para pessoas com albinismo vem de sua própria infância, marcada pela falta de informação. Quando criança, não só ele, mas toda a sua família, ficava perplexo com as dúvidas sobre os cuidados, a educação e o futuro de crianças com albinismo.

Segundo ele, muitos medos não surgem do albinismo em si, mas da falta de conhecimento e da falta de histórias positivas que possam fornecer apoio emocional.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

ADEUS A UM ÍCONE ALBINO

Jacaré albino que era símbolo de São Francisco, nos EUA, morre aos 30 anos de câncer

Claude, que nasceu em um pântano da Louisiana, viveu durante quase duas décadas na Academia de Ciências da Califórnia

Por Redação, do Um Só Planeta
05/12/2025 
O jacaré albino Claude, que faleceu esta semana na Califórnia — Foto: Reprodução/Redes sociais

O raro jacaré albino Claude, que era uma das sensações de São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos, morreu aos 30 anos de idade nesta semana. O animal viveu durante quase duas décadas na Academia de Ciências da Califórnia.
Em comunicado, a entidade informou que a equipe de cuidados de Claude o monitorava de perto nas últimas semanas devido à diminuição do apetite. Ele, inclusive, chegou a ser transferido para uma área reservada para receber tratamento para uma suspeita de infecção.
Em abril, a academia lançou uma transmissão ao vivo para que os fãs pudessem assistir a Claude dia e noite. — Foto: Academia de Ciências da Califórnia

Posteriormente, uma necropsia realizada na Escola de Medicina Veterinária da UC Davis revelou que a causa da sua morte foi câncer de fígado com evidências de insuficiência hepática associada, além de sinais de infecção sistêmica.
“As opções de tratamento eram limitadas e provavelmente teriam pouco sucesso”, informou a Academia. “Muitas vezes é difícil diagnosticar problemas de saúde em predadores de topo devido à sua propensão a esconder doenças, e o comportamento de Claude estava normal até poucas semanas antes de sua morte. Uma mudança na cor e na textura da pele foi o sinal mais claro de sua saúde debilitada e levou a uma ação imediata por parte de sua equipe de cuidados.
Claude era considerado o mascote não oficial da entidade e da própria cidade de São Francisco, e recebia regularmente cartas, presentes e desenhos de fãs do mundo todo. Em setembro, quando completou 30 anos, milhares de pessoas compareceram a sua festa de aniversário, que contou com discursos de autoridades governamentais e líderes da cidade e teve até um bolo, feito com peixe e gelo, em formato de jacaré.
Segundo reportagem do SFGATE, o animal nasceu em um pântano da Louisiana e passou um tempo no Zoológico St. Augustine Alligator Farm, na Flórida, antes de seguir para a Costa Oeste dos Estados Unidos. Devido à sua coloração incomum, causada por uma condição genética hereditária que resulta na ausência total ou diminuição significativa da produção de melanina, as chances de sobrevivência na natureza eram pequenas.
“Ele trouxe alegria a milhões de pessoas no museu e em todo o mundo, seu carisma discreto cativando os corações de fãs de todas as idades. Claude nos mostrou o poder dos animais embaixadores para conectar as pessoas à natureza e despertar a curiosidade para aprendermos mais sobre o mundo ao nosso redor”, salientou a Academia. “Sabemos que a magnitude dessa perda será sentida na mesma proporção em que Claude era amado por tantas pessoas na região da Baía de São Francisco e além.”
A entidade agora prepara uma homenagem pública para o jacaré - mais detalhes serão divulgados em breve. E, enquanto isso, incentiva as pessoas a compartilharem suas lembranças e mensagens no site oficial da despedidade de Claude.

PREOCUPAÇÃO ALBINA

Aparecimento raro de espécie albina nunca antes vista no Brasil é curioso, mas pode ser mau sinal

O espécime é raro porque essa característica não costuma ser encontrada em primatas de territórios tropicais, como a América Central e a América do Sul; no Brasil, o registro é inédito

Uma espécie rara de sauá (Callicebus nigrifrons), primata endêmico do Brasil na região Sudeste — entre Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, além de alguns territórios no oeste mineiro (na Serra da Mantiqueira e do Espinhaço) — foi capturada por câmeras do Parque Estadual do Rio Doce (Perd), em Minas Gerais, esta semana.
O espécime é um sauá albino, raro porque essa característica não costuma ser encontrada em primatas de territórios tropicais, como a América Central e a América do Sul.
Entre os sauás, aliás, foi o primeiro registro até então.
Primeiro registro de sauá albino capturado por drone no PERD.
Créditos: divulgação

Mas a raridade do avistamento pode não ser um bom sinal. O albinismo é uma condição causada, por vezes, devido ao isolamento genético que vem de populações sem variedade suficiente, o que pode se relacionar à degradação de áreas de habitat natural da espécie no parque, que é ameaçado pela expansão da atividade monocultora.
Outros fatores de possível associação são a presença de poluentes de água e ar, que interferem no material genético dos animais, a exemplo do dióxido de nitrogênio e de enxofre, emitidos pela queima de fósseis em indústrias.
O Parque Estadual do Rio Doce, no Vale do Rio Doce, é lar de boa parte da biodiversidade de Minas Gerais e uma das principais áreas de proteção de território de Mata Atlântica, com a maior faixa contínua preservada desse bioma no estado (cerca de 36 mil hectares).
As espécies de fauna são variadas: capivaras, antas, onça-pintada, diversos primatas (como o macaco-prego-preto e o próprio sauá), papagaios e pacas.
O sauá é um dos primatas mais característicos da região da Mata Atlântica, de pequeno porte e pelagem marrom-escuro, com a cabeça mais escura do que o corpo. Ele tem um comportamento ágil e silencioso e se concentra em pequenos grupos na floresta. O avistamento do primeiro sauá branco já notificado na Mata Atlântica foi parte de um levantamento populacional realizado pelo projeto Primatas Perdidos, que mapeia áreas do parque usando drones a fim de estudar os hábitos das populações que habitam a região.
Das cinco espécies de primatas que ocorrem no parque — bugio-ruivo (Alouatta guariba), muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), macaco-prego (Sapajus nigritus), sauá (Callicebus nigrifrons) e sagui-caveirinha (Callithrix aurita) —, três são ameaçadas de extinção: o sagui-caveirinha já foi incluído na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo.
O trabalho da iniciativa no PERD está focado, agora, em catalogar a população de muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), considerado o maior primata das Américas, remanescente no parque. A espécie está criticamente em perigo na lista internacional da IUCN e figura entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

ELEIÇÕES SANGRENTAS


As pessoas com albinismo que viram alvo por superstição durante eleição: 'Muito medo'

Legenda da foto,Segundo algumas superstições na Tanzânia, partes do corpo de pessoas com albinismo podem trazer sorte. Uma em cada 19 pessoas é portadora do gene do albinismo neste país do leste da África

Alfred Lasteck
BBC Africa
31 outubro 2025

Aviso: este artigo contém detalhes de violência gráfica que algumas pessoas podem achar chocantes.

Na Tanzânia, cada período eleitoral reabre feridas antigas para Mariam Staford, 42 anos.
Para a maioria, os comícios, cantos festivos e mensagens de campanha são oportunidades de fazer sua voz ser ouvida. Mas para pessoas com albinismo, eles representam fonte de terror.
"A primeira coisa que me vem à mente é o medo", conta ela à BBC, enquanto os eleitores se preparavam para votar em um presidente e no parlamento na última quarta-feira (29/10).
"Sei que os assassinatos de pessoas com albinismo acontecem principalmente em períodos eleitorais na Tanzânia, quando as crenças em feitiçaria se intensificam. Por isso não participo das campanhas… Tenho muito medo."
O albinismo é raro, afetando uma em cada 17 mil pessoas aproximadamente. Mas na Tanzânia, os números são altos: a condição afeta cerca de 30 mil pessoas na Tanzânia (uma a cada 2,3 mil pessoas), é uma doença genética rara que reduz a melanina, o pigmento que dá cor à pele, aos olhos e aos cabelos. Em alguns casos, o distúrbio também provoca problemas de visão.
A superstição transformou pessoas com essa condição em alvos privilegiados. A falsa crença de que partes do corpo de pessoas com albinismo trariam riqueza, sorte ou sucesso político alimentou ataques em toda a Tanzânia.
Ativistas afirmam que essas crenças se intensificam perto das eleições, quando há disputas pelo poder político.
Mariam conhece pessoalmente esse perigo.
Em 2008, um dos anos mais sangrentos para pessoas com albinismo na Tanzânia, durante os preparativos para as eleições locais, homens armados com facões invadiram seu quarto em Kagera, uma região do noroeste do país.
Eles chegaram tarde da noite, cortaram sua mão direita (acima do cotovelo) e a levaram, depois cortaram também a mão esquerda…
No dia seguinte, Mariam foi levada inconsciente a um posto de saúde, e o médico que a examinou disse: "Essa pessoa já está morta, leve-a para casa e enterre-a."
Contra todas as expectativas, Mariam sobreviveu; mas ela estava grávida de cinco meses e seu bebê não sobreviveu.
O ataque não apenas deixou Mariam com deficiências permanentes, mas também a obrigou a abandonar Kagera, um dos epicentros dos assassinatos rituais de pessoas albinas na época.
Ela acabou se estabelecendo na região relativamente pacífica do Kilimanjaro, onde uma associação de defesa dos direitos das pessoas albinas, Under the Same Sun (Sob o Mesmo Sol, na tradução livre), construiu uma casa para ela e a ensinou a tricotar. Hoje, ela faz suéteres.
Dezessete anos depois, o trauma persiste.
"Mesmo agora, às vezes sonho com aquela noite", conta Mariam. "Quando acordo, toco meus braços e lembro que eles não estão mais lá. É uma experiência da qual nunca escaparei."
O que aconteceu com Mariam faz parte de uma série de ataques direcionados a pessoas albinas e a partes de seus corpos.
A Under the Same Sun relata que 211 incidentes desse tipo foram registrados na Tanzânia entre 2008 e hoje:

79 ataques resultaram na morte da vítima;
100 pessoas foram mutiladas, mas sobreviveram;
3 vítimas não foram feridas;
2 vítimas foram sequestradas e ainda estão desaparecidas;
27 túmulos foram profanados e partes de corpos saqueadas.

Somente no ano de 2008, pelo menos 35 pessoas com albinismo foram assassinadas, e muitos outros casos provavelmente não foram reportados.
Esses assassinatos geraram condenação internacional e levaram a uma repressão por parte do governo. O presidente da época, Jakaya Kikwete, condenou os ataques e pediu medidas firmes contra os assassinos.
Como consequência, a Tanzânia intensificou as investigações sobre assassinatos de pessoas com albinismo ligados à feitiçaria e reforçou as leis contra a discriminação.
Também foram feitos esforços para conscientizar o público sobre o problema.
Em uma rotatória da cidade de Sengerema, no noroeste do país, um monumento foi erguido em memória das crianças, mulheres e homens albinos que perderam a vida ou foram mutilados durante ataques.
A estátua em tamanho real representa um pai carregando uma criança albina nos ombros, enquanto a mãe a protege do sol.
O nome de Mariam está gravado no monumento, assim como o de Mariamu Emmanuel, que tinha apenas cinco anos quando foi morta em 2008.
Sentado em sua casa em Mwanza, seu irmão, Manyashi Emmanuel, hoje com 25 anos, lembra-se daquele dia. A dor ainda o assombra.
"Eu tinha oito anos e vi suas pernas, mãos e língua arrancadas pelos agressores… Desde então, tenho medo. É particularmente difícil ouvir falar de ataques quando as eleições se aproximam."
Um ataque foi registrado este ano, em junho, na cidade de Simuyu, no noroeste do país. A vítima saiu ilesa, mas foi colocada em local seguro.
A presidente Samia Suluhu Hassan recentemente alertou contra o que chamou de crenças tradicionais potencialmente perigosas, afirmando que elas não têm lugar nas eleições tanzanianas.
"Senyi Ngaga, comissária distrital de uma das áreas mais expostas aos ataques, afirma que as campanhas de conscientização do governo ajudaram a melhorar a compreensão da situação, mas que as zonas rurais ainda são vulneráveis às superstições e à discriminação.
Ela defende maior envolvimento de todos os membros da comunidade para pôr fim aos ataques.
"Recentemente organizamos um festival com curandeiros tradicionais, onde discutimos juntos", disse a comissária à BBC.
"Com a aproximação das eleições, também os aconselhamos a serem bons embaixadores, incentivando outros a rejeitar tais atos e a garantir a proteção das pessoas com albinismo."
Legenda da foto,Um monumento foi erguido para homenagear as pessoas com albinismo que foram atacadas

Embora grupos de defesa dos direitos humanos e sobreviventes afirmem que o governo ainda tenha muito trabalho a fazer, avanços foram alcançados.
As campanhas de conscientização, os programas da sociedade civil e as iniciativas de inclusão escolar ajudaram a reduzir os incidentes em algumas regiões.
As comunidades começam, pouco a pouco, a entender que pessoas com albinismo não são amaldiçoadas e que superstições podem ter consequências fatais.
Mas o assassinato, no ano passado, de Asimwe Novath, uma menina de dois anos, raptada de sua casa na região de Kagera, lembrou que o problema ainda persiste.
Testemunhas relataram que a menina foi forçadamente levada por dois homens não identificados enquanto brincava com a mãe.
Dezessete dias depois, partes do corpo de Asimwe foram encontradas dentro de uma sacola, abandonada sob uma ponte na mesma região. Seu corpo foi posteriormente enterrado na casa da família.
Nove suspeitos foram acusados de assassinato premeditado relacionado a este crime, mas o caso ainda não foi concluído.
Para Mariam, o episódio trouxe à tona lembranças perturbadoras.
"Isso me lembrou da minha própria noite de agressão em 2008. Eu conheço essa dor e sei que a mãe dela nunca esquecerá."
Sua experiência mostra que o medo faz parte de seu dia a dia. Ela evita sair sozinha e raramente deixa sua casa sem acompanhamento.
À medida que se aproximava a votação de quarta-feira, Mariam declarou que não votaria, cética quanto ao impacto que isso teria em sua vida.
Ela passou o dia tranquila, em sua casa, no Kilimanjaro.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8dr73ngv9qo

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

PLANTAS ALBINAS

Já ouviu falar em plantas albinas? Entenda como elas sobrevivem!

A ausência parcial ou completa de clorofila nas folhas impacta na produção de energia através da fotossíntese e, consequentemente, no desenvolvimento e no crescimento das espécies albinas

Plantas albinas não conseguem realizar fotossíntese devido à ausência de clorofila e, portanto, não costumam sobreviver por longos períodos — Foto: Jasper Shide/Wikimedia Commons

O albinismo costuma ser definido como uma condição genética rara que causa a falta ou redução da melanina, o pigmento que dá cor à pele, ao cabelo e aos olhos. Mas você sabia que este termo também é válido no universo das plantas? Apesar da beleza única, elas enfrentam grandes desafios para a sobrevivência.
"As plantas exibem uma paleta de cores incríveis, e isso se deve a diversos compostos, entre eles carotenoides, antocianinas, flavonoides, taninos, entre outros. No entanto, a estrela principal e a mais conhecida é a clorofila. Ela absorve a maior parte do espectro de luz visível, mas reflete o verde. É por isso que a maioria das plantas que vemos são verdes", explica Juliane Ishida, professora do departamento de genética da Esalq-USP.
A clorofila é um pigmento verde encontrado em plantas, responsável pela absorção da luz solar no processo de fotossíntese — Foto: Unsplash/Anthony Lee/CreativeCommons

As plantas albinas não produzem clorofila, por isso, não são verdes. Mas também não são necessariamente brancas! "Elas possuem uma baixa concentração ou ausência de carotenoides e antocianinas, que dão cores mais expressivas como roxo, vermelho ou azul. A ausência desses pigmentos mais fortes pode revelar outras cores, como tons de marrom ou um amarelo pálido. Ou seja, é raro uma planta completamente sem nenhuma coloração", ela esclarece.


Como a mutação genética afeta a produção de clorofila?
Segundo a bióloga Cecília Azevedo de Souza, supervisora técnica do Horto Botânico da UERJ e doutoranda em Biologia Vegetal, o albinismo é uma característica recessiva controlada por vários genes, que pode ser causada por mutações. Algumas dessas mutações afetam os genes que regulam a produção de clorofila ou a distribuição dos cloroplastos nas células.

"O cloroplasto é a organela celular responsável pela produção de compostos orgânicos essenciais para o desenvolvimento da planta, a partir da fotossíntese, sendo a clorofila o pigmento responsável pela absorção, transferência e conversão da energia luminosa do sol em energia química. Uma vez ausente em determinadas células, a fotossíntese não ocorrerá naquela região e, consequentemente, a área fica despigmentada", explica.
Mutações genéticas podem levar a plantas com folhas completamente brancas ou variegadas — Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons

Em contrapartida, Juliane revela que nem sempre o que ocorre é uma mutação genética. "A ausência do verde pode estar ligada, por exemplo, à falta de fatores externos que levam ao amadurecimento dos cloroplastos. Há casos em que uma ou mais alterações genéticas podem levar ao albinismo. Elas podem afetar a síntese de clorofila ou a formação dos próprios cloroplastos, entre outros. Se isso acontece em todos os tecidos e no início da vida, a planta não sobrevive", acrescenta a professora.

Tipos de albinismo em plantas
Existem dois tipos principais de albinismo no reino vegetal: plantas totalmente albinas, que não produzem clorofila e não conseguem sobreviver por muito tempo; e parcialmente albinas, quando apresentam áreas com e sem clorofila.

"As plantas albinas são capazes de sobreviver, apesar de poderem ter problemas fisiológicos pela menor concentração de clorofila total na planta. Inclusive, as parcialmente albinas têm sido muito procuradas no mercado de plantas ornamentais, denominadas plantas variegadas", classifica a bióloga.

Plantas sem clorofila conseguem sobreviver?
A Monotropa uniflora é uma exceção entre as plantas albinas pois consegue sobreviver mesmo com a ausência de clorofila — Foto: Jdshide/Wikimedia Commons

Chegamos na parte mais interessante: a sua sobrevivência. "De forma geral, não. As plantas dependem da clorofila para realizar a fotossíntese, processo no qual produzem seu alimento ao transformar energia luminosa em energia química, fundamental para a sobrevivência e o crescimento. Existem exceções, como é o caso de plantas que parasitam outras plantas ou que se associam a fungos em relações simbióticas, porém, são casos bastante específicos", desvenda a bióloga.

Para sobreviver, elas precisam 'roubar' os fotoassimilados (os açúcares produzidos pela fotossíntese) de outras plantas. "Essas são as plantas parasitas. Algumas são parasitas facultativas, que produzem seu próprio alimento através da fotossíntese. No entanto, se uma planta hospedeira estiver por perto, elas podem mudar seu estilo de vida para o heterotrófico e começam a extrair nutrientes da hospedeira. É uma adaptação incrível que mostra a diversidade de estratégias de sobrevivência no mundo vegetal", complementa a professora.

Existem também as plantas mico-heterotróficas, que não apenas perderam a capacidade de fazer fotossíntese, mas também não parasitam outras plantas diretamente. "Elas obtêm seu alimento de outras plantas, através de espécies de fungos micorrízicos, permitindo que essas plantas singulares sobrevivam e prosperem. É entre as plantas mico-heterotróficas que encontramos espécies completamente brancas, popularmente conhecidas como plantas fantasmas", ela continua.

Variegação: o albinismo parcial em plantas
A Monstera deliciosa variegata possui manchas brancas ou amareladas nas folhas devido a uma mutação genética que impede a produção de clorofila em certas áreas — Foto: Yercaud-elango/Wikimedia Commons

As plantas variegadas nada mais são do que plantas parcialmente albinas. "É como o mercado de plantas ornamentais costuma chamar as plantas parcialmente albinas. A caraterística pode ser estimulada por fatores ambientais, deficiências nutricionais e infecções virais. Pode ocorrer de forma natural, mas atualmente tem sido favorecida por meio de cruzamentos e seleções artificiais para o consumo", destaca Cecília.

Algumas de suas células têm dificuldade em produzir clorofila ou alguma proteína essencial para a fotossíntese, ou até mesmo em amadurecer seus cloroplastos. "Ao mesmo tempo, outras células na mesma planta estão funcionando perfeitamente, produzindo clorofila e realizando a fotossíntese normalmente. O resultado visível dessa "mistura" de células é o fenótipo variegado, com manchas amarelas. Essas manchas podem ocupar toda uma folha e grande parte da planta", justifica Juliane.

A professora explica que uma das causas mais comuns da variegação são os elementos de transposição. "São sequências de ácidos nucleicos que podem se mover de uma parte do genoma para outra. Quando um desses elementos se insere em uma região crucial para a formação dos cloroplastos ou a produção de clorofila, existe a possibilidade daquela célula, e as células subsequentes que derivam desta primeira, perderem a cor verde", diz.

Sendo assim, nas áreas da planta que permanecem verdes, esse elemento de transposição não se inseriu ou não causou interrupção. É essa 'dança genética' que cria as belas e diversas padronagens das plantas variegadas.

Como o albinismo total e parcial afeta o desenvolvimento do vegetal?
Plantas com albinismo parcial, ou seja, com redução na produção de clorofila podem apresentar um desenvolvimento mais lento e um porte menor em comparação às variedades verdes — Foto: Mokkie/Wikimedia Commons

É nas folhas que a maior parte do processo fotossintético ocorre. "Quanto mais partes albinas essa folha possuir, menos clorofila ela terá e menos fotossíntese será capaz de realizar, podendo gerar um déficit energético na planta, que impactará nos processos fisiológicos do vegetal como um todo. Já a planta totalmente albina morrerá após consumir os tecidos de reserva durante a germinação", diz Cecília.

Em plantas com fenótipo variegado, vendidas como albinas em lojas de jardinagem, Juliane argumenta: "Elas devem ser provavelmente menores do que suas irmãs totalmente verdes. Isso acontece porque a falta de clorofila em algumas de suas células significa uma menor capacidade de realizar fotossíntese e, consequentemente, de produzir energia para o crescimento. Além disso, essas plantas podem ter menor resistência a ambientes com luz solar intensa".

Exemplos de plantas que não realizam fotossíntese
As plantas mico-heterotróficas e parasitas são plantas que evoluíram para sobreviver sem depender da fotossíntese. Elas geralmente possuem pouca ou nenhuma clorofila, o que pode fazer com que fiquem com uma aparência albina ou pálida, seja por interferências internas, como deficiência de pigmentos, ou externas, como condições ambientais. Confira alguns exemplos dessas espécies:

Monotropa uniflora: conhecida como planta-fantasma ou cachimbo-indiano, essa planta mico-heterotrófica não realiza fotossíntese, obtendo seus nutrientes através de uma relação simbiótica com fungos. Nativa de regiões temperadas da Ásia, América do Norte e norte da América do Sul, ela se distingue pela sua coloração branca e translúcida, quase transparente.
Thismia: a maioria das plantas do gênero são encontradas em regiões tropicais e subtropicais, incluindo partes da América do Sul. Elas são plantas mico-heterotróficas, que não realizam fotossíntese e dependem de fungos do solo para obter nutrientes.
Voyriella parviflora: é uma planta parasita que depende de fungos para sobreviver, pois não possui clorofila e, portanto, não realiza fotossíntese.

"Apesar de sua existência surpreendente, essas plantas são pouquíssimo estudadas; ainda há muito a desvendar sobre sua biologia e ecologia. A origem pode ser um elemento de transposição, resultando em um fenótipo variegado. Outras vezes, o albinismo pode ser resultado de uma mutação específica", finaliza a professora do departamento de genética da Esalq-USP.
https://revistacasaejardim.globo.com/paisagismo/noticia/2025/07/plantas-albinas-entenda-como-elas-sobrevivem.ghtml