segunda-feira, 5 de agosto de 2013

NA PRAÇA VERMELHA

A Praça Vermelha, em Moscou, não é rubra como supunha. O motivo é que quando a praça foi criada, a palavra russa que lhe batizou significava bonita, além de vermelho.  












LUCIANA EM DETALHE

Luciana Gonçalez é administradora do blog Albinismo em Detalhe e já compartilhou sua história conosco aqui no Albino Incoerente.
Agora, ela gravou rico depoimento, postado no You Tube.
  

domingo, 4 de agosto de 2013

QUANTO VALE O SHOW, LOMBARDI?

Em São Petersburgo, fomos a um daqueles shows de cultura folclórica local, típicos em excursão. Discussões conceituais à parte, foi muito divertido.
O teatro estava decorado e as pessoas vestidas como no século sei la qual, no intervalo teve canapé de caviar com vodka russa e os cantores e dançarinos eram muito bons.
Uma das canções era a mesma usada por Sílvio Santos no Show de Calouros; não é que começo a cantarolar "Aracy de Almeida lá, la, lá, lá...?" 













JHONATANS EXPLICA

Mais um jovem albino compartilhou suas experiências no You Tube. Vejam que demais a ajuda entre ele e o irmão surdo-mudo.

sábado, 3 de agosto de 2013

GALERIA DE ARTE SUBTERRRÂNEA

Em Moscou, não dá pra perder uma visita a algumas das estações de metrô, verdadeiras galerias de arte. As estações mais belas foram construídas entre os anos 1930 e 50. A riqueza de detalhes impressiona e os russos orgulham-se de preservar e deixar tudo muito limpo.
Segundo a guia russa, a opulência das estações era o desejo do governo comunista de fazê-las parecerem palácios para o povo. 


























ALBINO GOURMET 103

REJEIÇÃO MOÇAMBICANA

Em alguns países os albinos são “caçados” como bichos, sofrem amputações de braços ou pernas para fins supersticiosos, sobretudo porque se acredita que o sangue deles ou o cabelo ajuda a acumular riqueza. Na pior das hipóteses, eles são mortos supostamente porque a sua presença numa família é presságio de grande azar. A sociedade continua a repelir violentamente as pessoas nessa condição de natureza genética.
Na província de Nampula, o @Verdade encontrou Espírito Costa Amisse, de 18 anos de idade, na rua, onde vive há anos por ter sido rejeitado pelos pais porque é albino. Ele é um jovem igual a tantos outros, porém, devido à ausência completa de pigmento na pele, várias pessoas o olham com desdém e acreditam que não morre, mas sim, desaparece.
Espírito sente-se um homem que não pertence a nenhuma raça e que é desprezado pelos outros indivíduos, desde que a mãe o renegou por causa do albinismo quando tinha apenas um ano de vida. “Estou sozinho e pensava que mais ninguém é como eu por ter sido rejeitado pela minha mãe”. Nessa altura, o nosso interlocutor vivia no distrito de Moma (Nampula), tendo mais tarde passado a residir no distrito de Alto Molocué, na província da Zambézia, até aos 10 anos de idade, com o pai.
Quando atingiu essa idade, o jovem, que frequentava a 3ª classe, disse aos avós que gostaria de conhecer a progenitora e pretendia morar com ela, em Moma. O seu pedido foi aceite. Contudo, chegado ao local, Espírito não pôde continuar a frequentar a escola e a sua vida mudou drasticamente porque os parentes da sua mãe o rejeitaram alegando que não podiam conviver com um albino dentro de casa. Aliás, para a família materna de Espírito quem convive com um indivíduo com falta de pigmentação na pele traz ao mundo um ser humano igual.
“Quando cheguei ao distrito de Moma, a minha mãe foi avisada de que não receberia nenhuma visita de familiares devido à minha presença”, disse o jovem que nos assegurou que durante os cinco meses em que viveu com a mãe não houve visitas, para além de que as crianças eram proibidas de brincar com um albino.
Contrariamente ao que acontece na Tanzânia, onde existem 170 mil albinos, Moçambique ainda não tem um levantamento estatístico sobre a incidência do albinismo na população e o preconceito prevalece. Há relatos de pais que vendem os seus filhos albinos. Entretanto, refere-se que em África a vida tem sido difícil para esse grupo de pessoas, principalmente na Tanzânia, onde as pessoas com falta de pigmentação na pele são em número 15 vezes maior que a média mundial.
Cientificamente, ainda não se sabe por que razão aquele país possui índices tão elevados de albinos. Todavia, acredita-se que a Tanzânia e a África Oriental podem ser o berço da mutação genética responsável pelo albinismo. Refira-se que ainda naquele país já houve uma demanda assustadora por albinos porque se acreditava que a ingestão dos seus órgãos genitais secos elimina a SIDA.
Por isso, esses cidadãos eram mortos e esquartejados supostamente para servirem de remédio. Lucas Mania, líder comunitário no bairro de Muatala, explicou que os albinos são pessoas diferentes de outras raças. Desde que reside em Nampula tem ouvido dizer que as pessoas com problema de pigmentação na pele nunca morrem, mas simplesmente desaparecem.
O líder crê que quando uma mulher dá à luz uma criança albina deve, ao sair da maternidade e antes de chegar à casa, ser submetido a um ritual tradicional para que não volte a ter filhos com a mesma “anomalia”. Antigamente, as mulheres que nasciam albinos eram mortas porque os seus filhos eram considerados obra de espíritos maus.
Os albinos são seres normais
Joselina Calavete, médica generalista no Hospital Central de Nampula (HCN), disse que a falta de pigmentação na pele é um problema genético sem “correcção” em Moçambique, mas não tem nada a ver com as interpretações que a sociedade tem feito.
Segundo a médica, o entendimento que as pessoas têm sobre os albinos traz constrangimentos sérios para aquele grupo social, uma vez que se sente discriminado e excluído. O recomendável é que um albino use sempre roupas que o protejam completamente do sol e aplique produtos com o mesmo efeito na pele o tempo todo, resguardando os olhos da radiação solar.
Refira-se que a agremiação que defende as causas e interesses dos albinos em Moçambique queixa-se do facto de nas províncias este grupo de pessoas continuar a aguardar meses a fio para ser observado por um médico especialista. Entretanto, na cidade de Maputo, o tempo de espera reduziu de dois a três meses para um dia a uma semana.
O desamparo
Quando se apercebeu de que era, cada vez mais, vítima de discriminação, preconceito, desprezo e afastado do convívio familiar, Espírito tentou recorrer ao comércio para sobreviver mas não teve sucesso. De Moma partiu para a cidade de Nampula à procura do irmão do pai mas, quando chegou ao destino, o tio já tinha passado a viver no distrito de Malema. Sem alternativa, o jovem sentiu-se desamparado e passou a viver na rua, enquanto procurava pela irmã que também reside naquela urbe. Ele levou um ano para localizar a casa da irmã no bairro de Muhala.
Outra vez rejeitado
A estadia de Espírito em Muhala durou somente dois dias. O cunhado convidou-o a abandonar o domicílio alegadamente por falta de espaço para acomodação. A opção foi viver na rua novamente.
Em 2007, o Infantário Provincial de Nampula acolheu o jovem e matriculou-o na 2ª classe, mas a sua permanência naquelas instalações durou seis meses. Antes de terminar o ano lectivo, o nosso interlocutor foi levado de volta para a casa da mãe, no distrito de Moma, sem o seu consentimento. A convivência não foi das melhores, tendo Espírito deixado a residência para passar a habitar na rua mais uma vez.
Espírito, deixado à sua sorte pelos parentes, disse que deseja voltar a estudar com vista a superar as dificuldades que enfrenta, algumas por causa do desleixo da sua família. Entretanto, ele está ciente de que na rua terá de batalhar bastante para conseguir concretizar os seus sonhos. O nosso entrevistado sobrevive da lavagem de carros na via pública, uma actividade que lhe rende entre 20 e 100 meticais por dia.
Detido por duas vezes
O jovem a que nos referimos já esteve preso por duas vezes na cidade Nampula. Na primeira ocasião foi indiciado de roubo de um telemóvel numa das viaturas que estavam sob sua vigilância, e na segunda Espírito foi igualmente acusado de roubo de telemóvel e dinheiro num lugar por ele escolhido para passar a noite.
http://www.verdade.co.mz/nacional/38797-albino-repelido-pela-familia 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MADEMOISELLE BOVARY

A jovem albina Ana Carolina Souza Bovary lançou ideia genial no grupo Albinos do Brasil e do Mundo, do Facebook. Ela propôs que os membros enviassem vídeos relatando sobre como é ser albino.
Que bom que cada vez mais as pessoas com albinismo estejam se articulando, dando depoimentos, reivindicando.
Eis o vídeo da Ana Carolina

PAPIRO VIRTUAL 61





Roberto Rillo Bíscaro

Ao escrever sobre a minissérie Little Dorrit, alfinetei a insipidez da personagem-título. Terminada a leitura do sombrio romance de Charles Dickens - serializado entre 1855-57 – continuo preferindo Amy Winehouse à Amy Dorrit, assim como prefiro Bleak House à crítica dickensiana à burocracia britânica.
Little Dorrit nasceu na prisão de Marshalsea, especializada em receber devedores. O pai da moça estava encarcerado há décadas quando começa a narrativa e tornara-se figura nobilitaria na hierarquia da cadeia, nutrindo assunções de sangue-azul, endossadas pelo zelo, submissão e trabalho extenuante de Little Dorrit para manter as ilusões do papai.
A jovem trabalhava na casa de Mrs. Clennam, sinistra negociante paraplégica, cujas atividades nunca são aclaradas. A velha tem um filho sem sal, Arthur, com o qual não mantém relação quase alguma, haja vista o herdeiro ter passado boa parte da vida na China. Ao retornar à Inglaterra, os destinos de Arthur e Little Dorrit se cruzarão e revelações e reviravoltas terão lugar, em ritmo não muito veloz. Isso empaca a leitura, mormente quando a morosidade se sobrepõe ao sentimentalismo datado de Dickens.
Little Dorrit crítica os efeitos da burocracia, do nepotismo e da ineficácia da máquina governamental na vida dos cidadãos, ou pelo menos, na de quem não usufrui de contatos nas esferas políticas. Isso gera momentos ímpares, prenúncios becketianos, inclusive, mas, tudo acaba na vala comum de investir contra “os políticos”, como se todos fossem a mesma coisa. Lembra certo país grandão da América do Sul.
Meu respeito e admiração por Charles Dickens jazem em sua descrição, singular pra época, do estágio capitalista em que a Inglaterra se encontrava. A ciranda financeira rodada pelo incensado Mr. Merdle, que despiroca, levando tantos à ruína e circularizando as trajetórias de Arthur Clennam e da família Dorrit é demonstrativo da escassez de autonomia individual perante as questões realmente consequentes, relacionadas ao capital. Essa parte crucial do enredo, aliás, contradiz muito da insistência na liberdade de escolha e responsabilidade individual, constituintes de fatia do material.
E como não cogitar se o sobrenome Merdle não foi sacanagem com o termo francês pra merda?
Ler Dickens sem atentar pra linguagem enfraquece muito a fruição de sua escrita. Tudo bem que o escritor cai na convenção de criar um inglês totalmente dentro da norma culta à provavelmente pouco instruída Little Dorrit. Todo mundo no ambiente dos Dorrit, exceto eles, desvia da norma linguística. Isso torna-os mais merecedores da fortuna, como se esta voltasse às mãos de quem merece, por ser “superior”. Aquela velha ilusão de ascensão/mobilidade social tão comum nos folhetins.
Dickens incorpora elementos imagéticos e sonoros, naquele tempo ainda recentes, do capitalismo industrial. Descreve os ruídos da fábrica com palavras tipo clink, thump. Mais de 100 anos antes do Kraftwerk nomear seu estúdio-oficina Kling Klang.
Flora, 40tona que quer passar por moçoila já tem falas onde as vírgulas são suprimidas pra reproduzir a torrente verborrágica. Joyce radicalizaria isso em Ulysses.
Dickens era o cara!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ALBINO INCOERENTE NO FREEZER

Quando visitei Oslo, capital da Noruega, troquei uma vista opcional a um museu pra ver milenares barcos vikings por um por um programa glacial. Fui a um bar inteirinho de gelo.
As visitas acontecem de hora em hora, porque cada grupo pode ficar 45 minutos no ambiente, onde tudo é feito de gelo, até os copos onde a bebida é servida. O drinque é cortesia da casa.
A gente recebe uma roupa especial e adentra um ambiente pequeno, literalmente um congelador com música ambiente.
Claro que Carlito e eu não percebemos as luvas embutidas no casacão e quase congelamos as mãos pra segurar os copos!

TELONA QUENTE 74

Em 1981, o mundo do horror foi estuprado por um petardo de baixo orçamento, dirigido pelo ninguém Sam Raimi. Evil Dead (A Morte do Demônio) disfarçava a falta de verba com edição crispada, atuações histriônicas e baciadas de sangue, baba, pus e caca. Como os efeitos não eram lá muito bons – além da conjunção do citado – o resultado é gore estilizado. Nojento, mas nojeira de mentirinha. Porrada no estômago, que influenciou carrada de filmes e cineastas e vomitou Raimi ao status de cult e depois ao de diretor de sucesso. Também cuspiu Bruce Campbell, a personagem Ash, ao pináculo da iconolatria aterrorizante.
O diretor Fede Alvarez refilmou A Morte do Demônio (2013) com orçamento maior e alta tecnologia. E o resultado foi inferior.
A narcodependente Mia e seus amigos/irmão vão a uma cabana no meio de impenetrável floresta pra ajuda-la a desintoxicar. Ideia de girico, mas a gente adora ver  babaca se ferrando. Tem que ser assim pra nos sentirmos menos culpados por gostar de ver tortura e morte!
Descobrem um livro amarrado com arame farpado; sinal de que não é pra mexer. Um fuça e a despeito dos avisos em vermelho-sangue pra que não leia (WTF?), o cidadão repete um encanto em voz alta (não é pra vibrar quando um trem desses sofre?) e desperta demônios ferozes, falando com voz engraçada (O Exorcista!), vomitando gosma e mutilando.
Na época de reality shows e de Jogos Mortais os efeitos são hiper-realistas. Dão nojinho, mas perderam uma dimensão. Também há inconsistências desagradáveis num roteiro meio preguiçoso (não esperem um novo Ash, nisso eles acertaram). Se uma das formas de matar os demônios é enterrá-los vivos, como um sai do chão pra agarrar a mocinha? E o desfibrilador surgido do meio do nada! Tudo bem que havia uma enfermeira no grupo, mas me deixa, né?
A Morte do Demônio 2013 não é importante.


O clássico oitentista, completo e dublado em português: