domingo, 7 de agosto de 2011

A SUPERAÇÃO DE ANA CARINA


Genética, cigarro e anticoncepcional fizeram Ana Carina Perez infartar aos 31 anos. Ela tinha 1% de chance e sobreviveu


Segundo levantamento feito pelo iG Saúde no banco virtual do Ministério da Saúde, de 2008 a 2010, em média, duas mulheres de 20 a 39 anos são internadas por dia vítimas de infarto. Para tal faixa etária, a dobradinha entre pílula e cigarro, associada à pré-disposição genética, são os principais gatilhos da doença.
Ana Carina Perez deu entrada no hospital Santa Catarina, na zona sul de São Paulo, no dia 3 de março deste ano com a expectativa de vida reduzida a uma estatística trágica: apenas 1% de chance de sobrevivência, número revelado pelo plantonista que a socorreu. Aos 31 anos, a dona de um famoso bar na Vila Mariana, na zona sul da capital, tinha sofrido um infarto. A artéria principal do coração ficou obstruída por um coágulo, impedindo a passagem do sangue.
No inconsciente coletivo, 1% é praticamente nada, quase zero. O pessimismo involuntário da estatística, quando invade a medicina, é ainda mais assustador. Na contramão da probabilidade, porém, algumas histórias de quase morte sobrevivem e resultam em alerta, trazendo à tona velhas e bombásticas combinações que podem ser fatais à saúde da mulher jovem.
Em um dia normal de trabalho, Ana Carina começou a sentir uma forte dor nos ombros. Inicialmente, achou que tivesse apenas sofrido uma leve torção, mau jeito, após um movimento brusco. Em seguida,além da dor, passou a ter fraqueza e tontura.
“Já passava das 14 horas, eu tinha acabado de apagar um cigarro, e estava sem comer desde o café da manhã.” O diagnóstico caseiro de pressão baixa a fez comer uma azeitona na tentativa de solucionar o desconforto.
Pouco tempo depois, aos sintomas somava-se a forte dor no peito e a confirmação do infarto. Em menos de 20 minutos após dar entrada na emergência do hospital, ela já estava no que define como “salinha do terror”, local onde foi preparada antes de ser encaminhada ao centro cirúrgico para fazer um cateterismo.
“Ouvi o médico falar que eu não tinha tempo, era preciso correr. Nessa sala, foi tudo muito rápido, eu tentava ajudar a tirar a minha roupa, o brinco, mas não podia fazer esforço algum. Só tomava bronca por me mexer. Estava encharcada de suor, chorava descontroladamente e até me despedi do meu pai.”
Carina recebeu apenas a anestesia local e assistiu ao procedimento pelo monitor da sala de cirurgia. Na opinião da paciente, foi a melhor maneira de assegurar que permaneceria viva.
"Consegui me acalmar, pensava na minha família, na praia, em coisas boas. Não queria ser sedada de forma nenhuma, temia ver a luz, Deus, ou qualquer coisa parecida. "
Coração imaturo

Em pacientes jovens, o risco do infarto ser fulminante é alto, revela Alessandro Aparecido Machado, cardiologista do hospital, e um dos responsáveis pela cirurgia de emergência realizada em Carina. Embora desconheça estatísticas da mortalidade do infarto nesse público, explica que o atendimento bem feito, ágil, consegue reverter 70% dos casos.
“O infarto na parede dessa artéria, como ocorreu com a Ana Carina, costuma ser bem grave. Quanto mais cedo abrimos a artéria e fizermos o cateterismo, melhor o prognóstico. Na medicina, tempo é músculo", diz o médico.
Nessa faixa de idade, o problema também tende a ser mais complexo. Os especialistas explicam que o jovem tem menos circulação colateral, processo no qual pequenas artérias, normalmente fechadas, se abrem e irrigam os grandes vasos, servindo como uma alternativa breve ao suprimento de sangue.
O rápido atendimento dado a jovem foi essencial para que 1% bastasse. Alexandre de Mira, também cardiologista do Santa Catarina, revela que embora Ana Carina tenha sido a paciente infartada mais jovem atendida pelo hospital, o número de casos similares é crescente no Brasil, a maioria provocado devido ao consumo de cigarro e herança familiar.
"Os jovens que fumam estão mais preocupados com o pulmão do que com o coração. A informação existe, mas não há campanhas nacionais que reforcem os riscos de infarto, independente da idade."
Contexto bombástico
Mesmo sabendo que sua avó faleceu por problemas cardíacos aos 26 anos, Ana Carina não se via como possível estatística. Além da herança familiar, do uso da pílula – por mais de 10 anos – como método contraceptivo, a empresária tinha o cigarro, há uma década, como um companheiro, alívio imediato do estresse.
“Adorava fumar, mas não era compulsiva. No dia a dia, fumava, em média, 12 cigarros. Nunca tinha pensando em parar, tampouco tentado. Sempre falei que só deixaria o tabaco para engravidar.”
Além da trinca de fatores, o contexto de vida era pouco favorável à saúde. Em um pique super intenso de trabalho, a dona de bar tinha poucas horas de sono e nenhum espaço para praticar uma atividade física. Magra e avessa às tradicionais paranóias com regimes, ela cuidava da alimentação sem problemas com a balança – comia frutas, legumes, mas nunca com horário regrado para fazer as refeições. "Era saudável na medida do possível, mas nunca tive nenhuma doença."
Cardíaca
O evento foi uma espécie de choque anafilático na família e nos amigos. Hoje, ainda em recuperação, ela parou de fumar, dedica tempo e cuidados à alimentação, reduziu drasticamente a carga horária no trabalho e está, obrigatoriamente, mais caseira do que nunca. Espera a fase delicada passar para assumir de vez a nova vida e retomar a natação, esporte que praticou até os 16 anos, ou encontrar uma modalidade compatível com as limitações.
Para reforçar a mudança de vida, a mãe da jovem também abandonou o cigarro. As duas estão usando adesivo de nicotina para ajudar no processo. Seu coração ganha força aos poucos, mas ainda não pode se emocionar. No dia da entrevista à reportagem, o bar de Carina concorria a um prêmio em um evento tradicional do setor.
"Não posso viver a alegria de ganhar o prêmio. Queria ir ao evento, mas é contra a recomendação médica. Meu coração não pode passar por isso agora. Tenho que mentalizar outra coisa e esquecer essa emoção boa. Nesse momento, não dá nem para me apaixonar", brinca.
A história fez com que Carina virasse, em seu círculo de amizades, a única "amiga infartada”, título que ela carrega com bom-humor e como um alerta constante. “Fui muito abençoada. Tive muita sorte naquele dia. Os médicos, o farol aberto no caminho, a ajuda de meu pai, tudo foi fundamental para que eu sobrevivesse. O que passei me faz dar ainda mais valor à vida. Agora todo mundo viu que o problema não é tão distante quanto parece. Quem está dentro dos fatores de risco, sou o exemplo de que é fundamental mudar rápido de postura.”
(Encontrado em http://delas.ig.com.br/saudedamulher/duas+mulheres+jovens+sao+internadas+por+dia+vitimas+de+infarto/n1596822026789.html)

sábado, 6 de agosto de 2011

VIOLÊNCIA CONTRA ALBINOS NA INGLATERRA


Família de albinos muçulmanos ameaçada após um membro casar-se com um cristão.
Uma família de albinos muçulmanos está sendo aterrorizada por extremistas, porque a filha casou-se com um homem de outra religião.
A retaliação, supostamente em nome da honra, inclui vidraças quebradas na residência da família, em Coventry, além de carros danificados e ameaças de morte.  
Agora, Aslam Parvez, o chefe da família, faz um apelo aos culpados, a fim de parar tanto ódio.
Parvez culpa alguns membros da comunidade islâmica, que crêem que a família foi desonrada pelo casamento da filha.  
A onda de ódio começou há 5 meses, quando uma revista de circulação nacional publicou um artigo sobre albinos, no qual a história de Naseem foi contada. Ela não vive mais em Coventry e tem pouco contato com a família. A reportagem revelou como ela casou-se com um cristão, frequenta a igreja e está grávida do segundo filho.  
O pai de Naseem declarou que cópias do artigo espalharam-se rapidamente, sendo colados em muros perto de sua casa e em portas de lares muçulmanos da comunidade.
Parvez afirma ter recebido diversas ameaças de morte e gasto milhares de libras instalando câmeras de segurança pela casa.
Ele parou de ir à mesquita e pode ser forçado a deixar a cidade, com sua esposa e 5 filhos.
A polícia foi chamada semana passada e está investigando o caso.
“Queremos que isso pare imediatamente”, pediu Parvez. “Não aguentamos mais isso. Não somos uma família ruim e não fizemos nada de errado. Estamos sendo punidos pela escolha de nossa filha. Queremos viver em paz. Sou um homem religioso. Cuidem das próprias vidas, antes de nos julgarem. Deus julgará vocês pelo que tem nos feito passar”
Parvez nasceu no Paquistão e mudou-se para Coventry quando tinha 10 anos. Mais tarde, ele conheceu e casou-se com Shameem, também albina.
Os 6 filhos herdaram a característica, que causa ausência de pigmentação e cegueira parcial.
O pai afirma que o albinismo sempre sujeitou a família ao ridículo, mas os eventos recentes tornaram suas vidas insuportáveis.
“Sempre foi difícil”, relata, “ eu era xingado na escola e no trabalho. Você recebe olhares atravessados na rua, mas acaba se acostumando. Durante toda nossas vidas, temos tido que lidar com discriminação. Os últimos eventos tornaram as coisas 10 vezes piores.”  
Um porta-voz da polícia de Coventry disse que recebeu uma denúncia da família no dia 10 de julho e que o departamento está investigando o fato.  
Mandy Sanghera, assistente-social e especialista em violência por motivos de honra, está apoiando a família.
“Essa família já é vulnerável devido à sua condição genética e agora estão sendo afetados por este acerto de contas contra eles. Eles não merecem isso. Eles necessitam do apoio da comunidade e não serem excluídos”, declarou Mandy. “Conclamo os responsáveis por isso a pararem”.  

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O GIGANTE ALBINO DE BARCELONA

Peixe-gato albino gigante capturado em Barcelona


Um peixe-gato albino com 2,44 metros de comprimento e 88 quilos rendeu a um pescador inglês um lugar no livro dos recordes. O peixe, capturado por Chris Grimmer, de Sheffield, Inglaterra, é um dos maiores da espécie alguma capturado à linha, segundo o jornal The Telegraph. Chris - que passou uma semana de pesca no rio Ebro, em Barcelona, com três amigos -  esteve cerca de meia hora a tentar atrair o peixe, depois de este ter conseguido partir o isco. O animal foi devolvido à água em segurança, depois de devidamente pesado.
 De acordo com o mesmo jornal, o maior peixe-gato jamais capturado pesava 293 quilos e foi apanhado na Tailândia em 2005.

CONTANDO A VIDA 45

Nesta quarta, o Professor Sebe conta como o mais recente filme de Woody Allen exerceu efeito de madeleine proustiana nele.


MEIA NOITE EM TAUBATÉ.
José Carlos Sebe Bom Meihy
para Renato Teixeira


Saí do filme de Woody Allen flanando. “Meia noite em Paris” é uma viagem prá lá de feiticeira. Mergulho profundo no melhor da imaginação, tudo cativa na construção hipotética dessa nostálgica volta ao passado. Como se lançasse sonda nas fissuras do pretérito perfeito, aristotelicamente buscando “como poderia ter sido”, a narrativa permite perscrutar um tempo, perdido. Devaneio. É verdade que o filme contradiz a exatidão da origem do tempo ideal e ele mesmo nos leva a suposição de anterioridades, mas isso interessa menos. Vale pensar nos momentos elevados da determinação de nossa realidade traída por banalidades, consumismos e erudição inútil. Tudo demonstrado na trama de personagens identificados com exterioridades tolas. No caso do filme, cabe retomar a oportunidade criada por Allen que, percebendo o andamento atual, de depressão da sociedade norte-americana, permitiu-se uma fuga de espaço e tempo para a Paris encantada dos anos de 1920. É verdade que o autor, diretor, roteirista já havia feito isso na década de 1980, quando propôs em “A Rosa Púrpura do Cairo” que a personagem encenada por Mia Farrow encontrasse algum alento no escurinho do cinema – é imorredoura a cena do personagem saindo da tela para dialogar com a desencantada moça da platéia. No caso de “meia noite” é o personagem central, interpretado por Owen Wilson, que, às doze badaladas, como versão masculina da Cinderela, entra não em uma carruagem que o leva ao baile, mas num carro antigo que o permite visitar os salões imaginários do passado. E quem encontra lá? Nada mais, nada menos do que as figuras descritas por Ernest Hemingway em “Paris é uma festa”. A incrível recriação de tipos como Fitzgerald, Picasso, Cole Porter, Buñuel, Dali e principalmente Gertrude Stein promove delírios. Esse é um dos momentos em que o cinema consagra a condição de sétima arte.

Depois de ver o filme, na segunda vez, procurei um café recôndito e me sentei em meio à fosca luz. Deixei-me levar. De maneira suave,permiti-me flanar àcata de certo passado. Primeiro, lembrei-me de conversas antigas com Renato Teixeira e quase emocionado recobrei a criação de um primeiro musical que ele compôs com o irmão Roberto. “Samba em três tempos”... “Samba em três tempos” era o nome dado a um roteiro onde remontava momentos de definição do ritmo (“Pelo telefone”), indo para Noel, e naquele então a “nova fase” era inaugurada com “Carcará”, que o Renato cantava em pé. Naqueles dias,eu era diretor cultural do Taubaté Country Club e ainda muito jovem, adivinhava no querido amigo a dimensão de sua longa estrada nacional. Dessa recordação, outras vieram e também permeadas pela presença do caro violeiro. Recordo de uma conversa nossa sobre o amado professor Cesídio Ambrogi e ainda vejo em minha memória a janela aberta, da casa de esquina onde, dentro de moldura azul e com uma lâmpada ininterruptamente acesa, o mestre escrevia suas crônicas. Da mesma forma, me emocionei ao lembrar os escritos de Judith Mazella Moura. Daí para as aventuras no “Estadão”, o colégio, foi um pulo. E os velhos professores: Bartholo, Fábio Moura, Miguelão, dona Anésia, dona Branca, dona Beatriz. Como esquecer o diretor amorosamente apelidado de Cuco... elee tantos outros.
Meus olhos iam aos poucos se afogando ao recordar figuras como padre Evaristo, Julio Guerra, Nhonhô Cassiano, a louca Isaura da Chave, o solene doutor Pato, a elegante dona Adélia Simi. Os lugares desafiavam lembranças: a Sorveteria Raphael (com ph), a papelaria Casa Matos, o terminal do ônibus Roman no largo do Mercado, a Leiteria Cristal, o bar do Alemão, Pizzaria Ideal, Padaria Americana... Ah! o meu largo do Mercado. Os barulhos daquela Taubaté insistem em meus ouvidos: os pardais da praça no final de tardes, os fogos tão constantes, o barulho das cigarras nos novembros calorentos, as badaladas dos sinos quando alguém morria e... e as canções do Renatinho (“feira de trocas, coisas soltas pelo chã...”). E os gostos, sabores e cheiros da cidade?! O amendoim torradinho comprado na entrada do Palas, a pipoca da praça, a paçoca do mercado nas santas semanas. Sobretudo,recobro a delícia do cural de milho verde e dos pasteis: “sabores d’outrora” diriam os poetas.
O tempo fluiu. Fluí com ele. Transportado para meu passado idílico, apenas consegui voltar graças è lembrança sempre jocosa de que Taubaté é uma cidade aproximada de Paris por todos os lados: PARISbuna, São Luiz do PARIStinga,APARIScida do Norte e, antes do fim do encanto, dei graças a este filme, que deu licença a esta crônica chamada meia noite em Taubaté. 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

TELINHA QUENTE 23

Promessa Cumprida

Roberto Rillo Bíscaro


Na adolescência, repetia que teria todos os episódios de DALLAS. Décadas antes do DVD, imaginava que quando tivesse grana gravaria todos os capítulos pra revê-los a meu bel-prazer.
Uma das séries de maior audiência da história da TV, DALLAS estreou nos EUA em 2 de abril de 1978. A audiência foi modesta e os episódios eram meio independentes uns dos outros. Com o tempo, a série passou a ter o formato de novela (soap opera) e em 1980, tornou-se febre mundial. 360 milhões de telespectadores ligaram suas TVs pra descobrir quem atirara no vilão JR. Pilotos de avião anunciaram em pleno voo o nome do(a) autor(a) dos disparos; na Inglaterra, o episódio chegou cercado por forte esquema de segurança; conta-se que bares e restaurantes ficaram ás moscas na noite da exibição do episódio. Na primeira metade dos anos 80, a família Ewing reinou soberana no horário nobre e inspirou a criação de clones(Dynasty, FalconCrest).
Dizem que o fenômeno de audiência deve-se ao fato de DALLAS mostrar um mundo de opulência e poder numa época em que os EUA viviam uma recessão econômica e moral baixa com reféns em embaixadas iranianas, filas quilométricas pra comprar gasolina etc. Os Ewings sofriam, mas o faziam com estilo (muito, muito menos do que em Dynasty...). Por mais infeliz e bêbada que Sue Ellen estivesse, ela ainda usava perfumes de cem dólares a onça. Mas, dirigia um carro que estava mais pra empregado do rancho Southfork! Ah, as incongruências de DALLAS...

São inúmeros os relatos que dizem como as batalhas em DALLAS eram a única coisa interessante nas vidas de gente vivendo em pequenas cidades no interior da Noruega, por exemplo.
No Brasil, o show começou a ser exibido pela Globo, no final de 1981, se não me engano. A emissora exibiu as 2 temporadas iniciais de uma enfiada só, diariamente.
Fui fisgado no primeiro capítulo, onde a premissa do show é exposta. Bobby Ewing casa-se com Pamela Barnes, filha de Digger, arqui-inimigo dos Ewings. Consta que a história deveria girar em torno de Pam, uma vez que Bobby morreria no quinto episódio. Dizem até que a atriz Victoria Principal saudava os demais atores que entravam no set com um “bem vindo ao meu show”. Mal sabia ela que isso seria por bem pouco tempo.
De cara, meu personagem preferido foi JR Ewing, cujo ator Larry Hagman, animara minha infância como o Major Nelson de Jeannie é um Gênio. No primeiro episódio ele já mostra as garras tentando destruir Pam. Ela não é boba e vira o jogo. O episódio termina com JR falando “I underestimated the new Mrs. Ewing. Well, I surely won’t do that again.” (não precisei consultar o DVD pra essa citação...).
Bobby e Pam eram bonzinhos demais pro meu gosto. Lindos, mas sem graça. JR é quem dava sabor. Milhões de telespectadores antes de mim chegaram à mesma conclusão. Em pouco tempo, o que era pra ter sido um Romeu e Julieta transformou-se num painel de devassidão e luta pelo poder num clã petrolífero texano, centrado na figura do “homem que todos adoravam odiar”, JR Ewing. Eu não o odiava; torcia por ele! Quanto mais estrago JR fazia, mas eu gostava. Vai ver que expiava nele minha porção maligna. Talvez ele fizesse o que inconscientemente, eu gostaria de fazer.  
Identifico-me com os fãs das pequenas cidades que viam em DALLAS algo como compensação pra vidas despidas de grandes eventos. Morando em Penápolis, sem grana e enfrentando a barra do preconceito, talvez o show tenha me fisgado pelo mesmo motivo. Hay cosas que te ayudan a vivir, diz a canção de Fito Páes.

Quando a Globo passou a exibir a série após o Fantástico, eu saia de onde estivesse pra ir pra casa ver a família Ewing.  
O reinado da novela durou até 1985, na infame “temporada-sonho”. Patrick Duffy saiu pra tentar carreira no cinema. Face ao fracasso, decidiu voltar, mas havia um problema: Bobby morrera atropelado por Katherine Wentworth, a meia-irmã louca de Pam. A solução foi transformar toda a temporada em um sonho de Pam! Lembro-me vividamente do choque que senti quando Victoria Principal desperta, ouve o barulho do chuveiro, abre o box e Bobby diz o “good morning” mais notório da TV. Fiquei besta, não via a hora de chegar o domingo seguinte.   Grande parte do público não achou a sacada genial, porém. A temporada de 1986 marcou o começo da queda da casa dos Ewings.
Mas, por que adoro tanto um show cheio de incongruências, atuações medíocres e personagens infantis? Bem, por tudo isso e mais! O ritmo alucinante com que as coisas mudam (pra permanecerem iguais) sempre me encantou. Filhos bastardos, primeiros casamentos mantidos em segredo, alcoolismo, traições, enfim, quase tudo entrava no coquetel de DALLAS. Até um involuntário caso de incesto básico rolou!
Uma das primeiras cenas do show mostrava a ninfeta Lucy Ewing esbaldando-se no feno com o capataz Ray Krebbs. Temporadas mais tarde, descobrimos que Ray é filho ilegítimo de Jock, o patriarca dos Ewings. Logo, Lucy era sobrinha de Ray. Como Ray dormira com todo mundo (brincava-se nos bastidores que nem a velha Miss Ellie estava segura com o garanhão), os produtores perceberam a gafe tarde demais. A solução foi não tocar mais no assunto do affair Lucy-Ray.
Quando a Globo parou de exibir o seriado, ele foi pra Band que começou a exibi-lo desde o início, parando no final da temporada em que Sue Ellen atira em JR, depois que seu amante despencara da janela do apartamento. Ficaram faltando 3 temporadas pra eu assistir. Tive que esperar mais de 15 anos, mas finalmente pude vê-las este ano.
Em agosto de 2004, as 14 temporadas começaram a ser lançadas em DVD. Só então me animei a comprar um DVD player. Exato, comprei-o por causa de DALLAS. Este ano adquiri a temporada derradeira, além dos DVDs com os reunion movies e a prequel, de 1986.
A 12ª temporada já estava desfalcada de muitas personagens, como Lucy, Pam, Ray, Donna e Geena. Seria a última com Linda Gray, a Sue Ellen. Os produtores poderiam ter aproveitado e dado um final pra novela nessa temporada e evitar os momentos embaraçosos das 2 últimas.
Algumas plotlines das temporadas 13 e 14 deixaram-me literalmente irritado, embora já as conhecesse dos fóruns de fãs, frequentados desde meu primeiro dia de internet em casa.
Onde já se viu JR preso numa cidadezinha no meio do nada, sendo obrigado a se casar com uma mocinha caipira? Ou o mesmo vilão trancafiado num hospício?  Lucy Ewing retorna, mas sem função dramática, assim como Miss Ellie e Clayton (bem, ele quase nunca teve uma mesmo...) Até Cliff Barnes (argh!), Nemesis de JR, passa boa parte do tempo sem muito o que fazer. Desse modo, exceto por JR e Bobby, quase toda a ação fica em mãos de não-Ewings novatos na série. E DALLAS jamais teve tantos atores péssimos duma vez só, cruzes!
De vez em quando, faíscas eletrizantes que serviam pra lembrar com nostalgia dos áureos tempos.
Mas, como fã é cego, DALLAS segue sendo meu programa de TV predileto. Duvido que algum dia deixe de ser.
De todo modo, cumpri a promessa juvenil de possuir os 357 episódios pra revê-los quando quiser. De vez em quando, vejo um a esmo. Daqui a alguns anos, planejo ver tudo de novo, tipo um episódio por dia, pra ter a trama bem estruturada e presente na cachola. Coisas de fã doido.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O QUE (NÃO) DIZER A UM DOENTE


Pacientes reúnem em livros orientações sobre o que amigos e familiares devem evitar falar nas visitas

Rachel Costa
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“Quando você passa por uma situação limite,
é difícil o outro se colocar no seu lugar”

Rafael Paim, que perdeu um filho
Não é fácil entrar no quarto e encarar alguém que acabou de receber o diagnóstico de um sério problema de saúde. O abatimento físico e a fragilidade emocional criam um vazio nos caminhos para o diálogo. Sem saber o que dizer, é comum o visitante se agarrar a uma série de bordões. Quem nunca perguntou ao doente se “está tudo bem” (sendo que a pessoa acaba de saber que tem uma doença gravíssima), garantiu que “vai dar tudo certo” (coisa que nem a mais avançada terapia médica pode garantir) ou soltou um “você está ótimo” (para alguém com olheiras profundas). A intenção pode até ser boa. O resultado, porém, fica aquém do esperado. “Mentir para o paciente faz com que ele se afaste de nós”, diz Elizabeth Nunes de Barros, coordenadora do serviço de psicologia do Centro de Combate ao Câncer.

Ser positivo sem dar falsas ilusões ao doente é o ideal, mas como fazer isso? Nos EUA, dois livros em fase de produção prometem algumas respostas. Em “Como Ser Amigo de um Amigo Doente”, da escritora Letty Cottin Pogrebin (que teve câncer de mama), a autora lembra, por exemplo, que visita tem hora para acabar. Letty propõe não exceder os 20 minutos – para não cansar ainda mais alguém abatido pelo problema de saúde. Já em seu livro, cujo título em português é algo como “Você Não Faz Por Mal, Mas...”, a executiva Jennifer Goodman Linn (que teve um sarcoma, tipo de tumor) alerta, entre outras coisas, que sugerir tratamentos mágicos não é uma boa ideia. Nada de mandar chazinho, amuleto e depois cobrar do paciente se ele está usando o presente ou, pior, se está dando resultado. 

Além dessas pequenas ações, tato e paciência são fundamentais para se estabelecer uma relação agradável com o doente. Uma das orientações é que o visitante controle sua ansiedade e deixe o paciente guiar a conversa. Se ele quiser falar sobre morte e doença, que fale. Se quiser chorar, que chore. Se quiser, porém, conversar sobre assuntos leves ou simplesmente não falar nada, isso deve ser respeitado. “Não devemos ter medo do silêncio”, diz Maria Teresa Veit, coordenadora do Departamento de Psicologia da Associação Brasileira de Leucemia.
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“Pequenos gestos do meu namorado mostram
que ele está comigo para o que der e vier ”

Larissa Meira, em tratamento de câncer
Assim, evitam-se situações constrangedoras como a vivida pela arquiteta Tatiana de Godoy, 35 anos. Às vésperas do início da quimioterapia para tratar um linfoma não hodgkin (tipo de câncer do sistema imunológico), ela recebeu um amigo que disparou a contar-lhe sobre reações adversas do tratamento. “Ele me disse que uma amiga dele havia feito quimioterapia, tinha passado mal, vomitado e sentido muito enjoo”, lembra. Hoje Tatiana reconhece que o amigo só queria protegê-la. À época, porém, ela quase entrou em pânico. “Já estava com medo e aquilo só me assustou mais.” 

Colocar-se à disposição, sem querer adivinhar como o doente está se sentindo, é outra boa dica. “Toda vez que você chega a uma situação limite é muito difícil para o outro se colocar no seu lugar”, avalia Rafael Paim, vice-presidente da ONG Adote. Rafael perdeu o filho recém-nascido depois que a criança aguardou, em vão, por um coração na fila de espera de transplante. O melhor a fazer é reconhecer a complexidade do problema do amigo e não tentar igualar o sofrimento causado por uma enfermidade séria com aquele oriundo de problemas do dia a dia. Ou seja: nada de dizer “entendo seu sofrimento. Ontem tive dor de cabeça o dia inteiro no trabalho”. 

Para saber como ajudar, o melhor é seguir os sinais dados pelo próprio paciente. “Há quem prefira ficar mais só, outros querem estar rodeados por amigos”, diz Elizabeth Barros. E não é preciso ser um super-homem para ajudar. Pequenos gestos podem significar muito. A estudante de design Larissa Meira, 23 anos, por exemplo, acha reconfortante quando o namorado usa a máscara cirúrgica para acompanhá-la nos passeios – ela está em tratamento contra um câncer no sistema linfático e às vezes precisa usar a proteção. “Pode parecer bobo, mas quando ele faz isso me mostra que está junto para o que der e vier.” A auditora fiscal Marina Izy Dellores, 44 anos, que teve câncer de mama, também se lembra de como o apoio de amigos ajudou-a a superar as dores do tratamento. “Tinha quatro amigos que sempre me ligavam no dia da quimioterapia”, conta. A frase mágica que a aguardava do outro lado da linha e lhe dava coragem: um simples “força, amiga”.  
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(Encontrado em http://www.istoe.com.br/reportagens/149049_O+QUE+NAO+DIZER+A+UM+DOENTE